‘Estudos e Análises’ no Qualis B1: reconhecimento, percurso e compromisso
Captura de tela da capa de um dos nossos “Estudos e Análises“
Por Tatiana Teixeira* [Informe OPEU] [Divulgação] [Estudos e Análises]
Nesta semana, recebemos a boa-nova sobre a classificação do nosso Estudos e Análise de Conjuntura (ISSN 2316-2481) como B1 no Qualis Periódicos (2021-2024), um estrato de reconhecimento institucional relevante no sistema de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Alcançar essa posição indica que nossos textos aumentaram sua presença nas dinâmicas de pesquisa da área, refletindo sua incorporação em debates acadêmicos, atividades de ensino e produção intelectual vinculada à pós-graduação no país.
Segundo a hierarquia de impacto desse sistema, de A1 (mais alto) a A4, temos os estratos para indicar maior impacto e reconhecimento científico internacional, enquanto os estratos B cobrem produções de relevância nacional ou regional.
Conforme definido pela CAPES, o Qualis Periódicos é um “sistema usado para classificar a produção científica dos programas de pós-graduação, no que se refere aos artigos publicados em periódicos científicos”. Trata-se, portanto, de um dos elementos fundamentais que compõem a Avaliação Quadrienal desses programas. No site institucional, adverte-se que sua função “é, exclusivamente, para avaliar a produção científica dos programas de pós-graduação. Qualquer outro uso fora do âmbito de avaliação dos programas de pós-graduação não é de responsabilidade da CAPES”. Isso significa que não estamos falando de um ranking global de periódicos, como Journal Citation Reports (JCR) ou Scimago, e que não se deve (ou não se deveria) utilizá-lo para outros fins que não o mencionado acima.
A evolução da classificação do Estudos e Análise de Conjuntura deve ser compreendida à luz das mudanças metodológicas do próprio Qualis, ao longo dos diferentes quadriênios de avaliação. Modelos anteriores privilegiavam aspectos mais formais, como estrutura editorial, periodicidade rígida e processo de peer review. Já o quadriênio atual (2021-2024) consolidou, na esteira da mudança iniciada no período 2017-2020, uma abordagem que combina indicadores bibliométricos para criar uma classificação única, adotando indicadores internacionais – como percentis de CiteScore (Scopus), percentis de Impact Factor (JCR/Clarivate), ou h-index (Google Scholar); área-mãe, garantindo o mesmo status em todas as áreas que o utilizam; e uso efetivo dos periódicos por parte dos programas, registrados na Plataforma Sucupira.
Esse deslocamento favoreceu a leitura do periódico do OPEU não apenas como um produto editorial, mas como um espaço de circulação efetiva de análises qualificadas, com impacto mensurável e inserção no ecossistema acadêmico. O avanço da classificação reflete, assim, um processo gradual de amadurecimento, de consolidação editorial e de ampliação da relevância institucional da publicação.
A partir da próxima avaliação (2025-2028), o sistema tradicional de estratificação de periódicos no sistema CAPES será descontinuado e passará a dar ênfase ainda maior à avaliação dos artigos em si, no contexto de uma metodologia mais ampla. Vai-se concentrar mais na classificação dos artigos, em vez da classificação dos periódicos, incorporando indicadores bibliométricos diretos e outros critérios de impacto de artigos individuais.
Um projeto editorial com vocação híbrida
O Estudos e Análise de Conjuntura nunca se propôs a ser um periódico acadêmico tradicional. Desde o início, diferenciou-se por funcionar, sobretudo, como um espaço híbrido: análise qualificada, diálogo com a conjuntura, circulação pública, leitura por públicos que extrapolam a universidade. Não temos um conselho editorial formal nos moldes tradicionais. Não operamos com peer review anônimo clássico. Nossa periodicidade nem sempre segue a régua rígida dos periódicos acadêmicos convencionais. Grande parte da curadoria, edição e gestão passa por poucas mãos. Em resumo: não somos aquilo que, no imaginário acadêmico, costuma definir um “periódico B1” stricto sensu. E isso nos distingue e qualifica.
Ao longo do tempo, os textos passaram a circular entre pesquisadores, estudantes e programas de pós-graduação, sendo incorporados a debates acadêmicos, trabalhos de pesquisa e discussões em sala de aula. Esse percurso ajuda a compreender por que a publicação passou a ser reconhecida dentro dos hodiernos critérios adotados pelo Qualis. No período recente, o Estudos e Análise de Conjuntura publicou análises sobre temas centrais e candentes da política internacional e da conjuntura contemporânea, com ênfase nas políticas externa e doméstica dos Estados Unidos e nos reposicionamentos estratégicos dos EUA no sistema internacional.
Nossa linha do tempo
B5 (2013-2016)
B4 (2017-2020)
International order? Interamerican relations and political outlook for Latin America, por Sebastião Velasco e Cruz, em 22 mar. 2019
Estudos sobre os Estados Unidos no Brasil: um campo em formação, por Sebastião Velasco e Cruz, em 22 jan. 2020B1 (2021-2024)
Pandemia, China, Rússia, Irã, meio ambiente, Europa: a atribulada agenda do governo Biden, por Tatiana Teixeira, Marcel Artioli, Marcela Franzoni e Sara Toledo (orgs.), em 13 jun. 2021
Is the United States ‘Exceptional’?, por Wayne Selcher, em 3 ago. 2021
Ordem, ou desordem? EUA, Rússia e o contexto internacional da crise brasileira, por Sebastião Velasco e Cruz, em 15 abr. 2022
Mundo em transe. Notas sobre a crise e o futuro da ordem internacional, por Sebastião Velasco e Cruz, em 3 mar. 2023
O Quadrilátero da crise. A Guerra na Ucrânia e o governo Biden, por Sebastião Velasco e Cruz, em 5 set. 2023
Promovendo a ‘democracia’ por meio do livre-mercado: o papel do CIPE na América Latina, por Camila Vidal, Jahde Lopez e Luan Brum, em 23 out. 2023
American Political Culture in Transition: The Erosion of Consensus and Democratic Norms, por Wayne Selcher, 29 fev. 2024
A organização e a publicação desses textos refletem um esforço consciente de curadoria editorial, consolidando o Estudos e Análise de Conjuntura como um espaço de produção e difusão de artigos qualificados. Trata-se, desde sua origem, de um projeto que apostou na análise consistente da conjuntura política, com rigor analítico e vocação pública. Para além de um enquadramento meramente formal, o resultado divulgado esta semana expressa o percurso de circulação, leitura e uso dos textos produzidos ao longo dos últimos anos, especialmente no diálogo com a pesquisa acadêmica em ciência política e relações internacionais.
Nosso periódico sempre operou em um espaço de fronteira: entre a pesquisa acadêmica, a análise aplicada, a apuração jornalística e o debate público qualificado. Essa escolha ampliou o alcance dos textos e sua presença em debates acadêmicos, programas de disciplinas, pesquisas e referências bibliográficas. A classificação no estrato B1 pode ser lida, portanto, como um reconhecimento desse impacto efetivo.
Próximos passos editoriais: dossiês temáticos
Como parte do processo de consolidação editorial, o OPEU passará a lançar chamadas públicas para dossiês temáticos, a exemplo do material organizado sobre os 100 primeiros dias do governo de Joe Biden. Esperamos, dessa forma, construir novas pontes interdisciplinares, ampliar o diálogo com a comunidade acadêmica e fortalecer a institucionalização da produção editorial. A proposta dos dossiês é articular rigor analítico, diversidade de abordagens e circulação pública do conhecimento, mantendo o compromisso com análises qualificadas e com a leitura informada da conjuntura internacional.
“America 250”: pesquisa, memória e circulação pública
Entre os próximos projetos editoriais, destaca-se o dossiê “America 250”, em referência à efeméride dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. O projeto propõe reunir pesquisadoras e pesquisadores com comprovada experiência em Estudos sobre os Estados Unidos para refletir sobre temas estruturantes da formação e da identidade norte-americana, como identidade nacional, “Sonho Americano”, valores fundacionais e narrativas sobre o que significa “ser americano”. Essa lista é meramente sugestiva, e demais tópicos afins serão igualmente bem-vindos. Em breve, abriremos a chamada para este dossiê.
Buscamos, com essa proposta, articular pesquisa acadêmica, difusão científica e diálogo internacional. Ela se insere, ao mesmo tempo, em um contexto mais amplo de reflexão histórica e contemporânea sobre os Estados Unidos, com potencial de circulação para além do meio acadêmico estrito.
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Diferentes formatos, diferentes funções: o caso do Panorama EUA
No ecossistema editorial do OPEU, diferentes publicações cumprem funções distintas, operando, de forma consciente, registros editoriais distintos. Enquanto o Estudos e Análise de Conjuntura opera como periódico de análise consolidada e aprofundada, o Panorama EUA (ISSN 2317-7977) se firma como um veículo de difusão científica, voltado para a circulação pública de pesquisas e para a tradução de debates acadêmicos. Dedica-se, ainda, a apresentar temas de política internacional relacionados com os Estados Unidos em linguagem acessível, visando a públicos mais amplos e diversos.
Sua classificação C no Qualis reconhece a natureza do projeto e o adequa à sua função real. Não é um periódico acadêmico stricto sensu, não podendo, assim, ser avaliado como tal. O Panorama EUA é um veículo de vocação para a divulgação científica qualificada, com o papel de traduzir o conhecimento e dar visibilidade a teses e pesquisas. A nova posição não deve ser lida, portanto, de forma hierárquica, mas funcional. Entendo também que se trata do reconhecimento da necessidade, cada vez premente, de pluralidade de formatos para uma difusão científica de maior alcance, para além dos muros da academia. No nosso caso, isso se faz, especialmente, nas áreas de Ciência Política e Relações Internacionais, cujos objetos de estudo afetam nossa vida cotidiana e diretamente; e, mais ainda, no âmbito de observatórios de pesquisa.
Qualidade, continuidade e compromisso
A trajetória editorial do Observatório Político dos Estados Unidos evidencia a importância de iniciativas que combinam difusão científica, pesquisa, análise aplicada e crítica da realidade, juntamente com o treinamento de novas gerações de pesquisadores. Ao fim e ao cabo, o objetivo principal do OPEU é contribuir para ampliar a interlocução entre academia e espaço público e para a produção de conhecimento sobre política internacional e temas ligados aos Estados Unidos.
Para o OPEU, o resultado é um estímulo à continuidade do trabalho e do compromisso com a leitura informada da conjuntura, ao aprimoramento dos processos editoriais e ao fortalecimento de um projeto que entende a produção de conhecimento como prática coletiva, pública e socialmente relevante.
Nada disso seria possível sem o trabalho coletivo de autoras e autores que confiaram seus textos ao OPEU, das leitoras e leitores que acompanharam, citaram e difundiram as análises, e das parcerias institucionais que sustentaram o projeto ao longo do tempo.
Seguimos. ![]()
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Conheça alguns dos textos da autora publicados no OPEU
Informe “Trump 2.0 e América Latina: política externa como política doméstica”, em 6 jan. 2026
Informe “Protesto ‘No Kings’ mostra que o rei está nu”, 21 out. 2025
Informe “‘The MAGA Doctrine’, manual e legado de Charlie Kirk (parte II)”, 6 out. 2025
Informe “A lista de Obama”, 29 set. 2025
Informe “O estadista e o autocrata delirante: defesa do extremismo (parte III)”, 25 set. 2025
Informe “O estadista e o autocrata delirante: democracia como base e norte (parte II)”, 25 set. 2025
Informe “O estadista e o autocrata delirante (parte I)”, 25 set. 2025
Informe “Elementos do declínio do poder americano.”, 5 set. 2025
Informe “Ucrânia, apoios políticos e enquadramentos da cobertura jornalística nos EUA”, 21 ago. 2025
Informe “I hear you, America”, 12 ago. 2025
Informe “Cultura do medo e ataque à privacidade: ICE usará Medicaid para rastrear e deportar imigrantes (I)”, 8 ago. 2025
Informe “Um Brics ampliado incomoda muita gente: Trump e o tarifaço ao Brasil (I)”, 17 jul. 2025
Divulgação “Chamada para publicação no OPEU em fluxo contínuo: Dossiê ‘Distopias e Trump 2.0’”, 25 de maio de 2025
Informe “Os primeiros 100 dias de Trump 2.0: caos deliberado, incerteza e perseguições”, 28 abr. 2025
Informe “Oscar 2025 diz ‘não’ a Trump e sua agenda”, 4 mar. 2025
Informe “Posse presidencial: um ritual de sacralização do ordinário marcado por opulência e poder”, 21 jan. 2025
Informe “Criador das ‘13 Keys’, Nostradamus das eleições nos EUA prevê vitória de Kamala Harris”, 7 set. 2024
Informe “Impacto da saída de RFK Jr. é pequeno, mas pode ser chave em eleição apertada”, 30 ago. 2024
Informe “Think tanks, lobbies e política nos EUA”, 6 jun. 2024
Informe “Colégio Eleitoral nos EUA: um sistema obsoleto que resiste à mudança dos tempos e da sociedade”, 28 de maio de 2024
Informe “Lula e Biden: uma relação com ganhos e (novos) limites para Brasil e EUA”, 11 fev. 2023
Informe “A carta de Biden”, 21 mar. 2021
Informe “O legado do senador republicano Mitch McConnell”, 30 out. 2020
Informe “Think tanks e política nas eleições de 2020 nos EUA”, 15 dez. 2019
Informe “A bilionária e feroz propaganda eleitoral nos EUA”, 17 nov. 2019
Informe “Think tanks americanos e a desigualdade de gênero”, 29 out. 2019
* Tatiana Teixeira é editora-chefe do OPEU, U.S State Department alumna (SUSI 2025), editora associada da revista Sul Global e colunista fixa do Observatório de Geopolítica EUA, da TV GGN. Contato: tatianat19@hotmail.com.
** Este conteúdo não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU.
*** Sobre o OPEU, ou para contribuir com artigos, entrar em contato com a editora do OPEU, Tatiana Teixeira, no e-mail: professoratatianateixeira@outlook.com. Sobre as nossas newsletters, para atendimento à imprensa, ou outros assuntos, entrar em contato com Tatiana Carlotti, no e-mail: tcarlotti@gmail.com.
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