Brasil

O enxadrista e as marionetes, parte I 

Crédito: Ilustração gerada por Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI)

Série “Futuro em xeque – Entre a Coerção e a Barganha” 

Por Marcus Tavares[Informe OPEU] [Brasil]

Brasil, o país do futuro. O slogan tem quase um século e envelheceu virando piada, porque o futuro que ele prometia nunca chegou, sempre adiado para a década seguinte. O que poucos disseram é que o futuro talvez nunca tenha dependido só de nós. Há um tabuleiro que não é de madeira, e hoje nele dois jogadores disputam quem influenciará o amanhã brasileiro. Numa câmara sem janelas, onde o tempo cronológico se dissolve em cálculo, Donald Trump debruça o corpo sobre o mapa do mundo e move duas peças presas por fios frágeis.  

Uma ainda expressa sinais de resistência. Pesada, arrastada contra a própria inclinação, resiste a cada centímetro que não concorda com a mão que a subjuga. A outra desliza sozinha em direção aos dedos que a manobram, antecipa o gesto, oferece-se. As duas disputam, em outubro deste ano, a Presidência de um país de 213 milhões de habitantes, e o enxadrista sabe que o resultado decide quem será o administrador do acesso ao que ele veio buscar. Do outro lado do tabuleiro, alguém não move peça alguma. Xi Jinping observa, imóvel como tempo geológico, e deposita pedras no vazio aparente. Não toca nas marionetes brasileiras. Joga nos bastidores.  

A gramática chinesa do cerco fluido dispensa o espasmo do ganho exibido, porque mede a vitória pela irrelevância progressiva do adversário, não pela queda espetacular de uma peça. O enxadrista ocidental, viciado na teleologia do xeque-mate, precisa que cada lance se anuncie como triunfo, e precisa que o triunfo chegue antes de outubro. 

A diferença entre as duas gramáticas importa, porque define o que está em jogo nas urnas. Trump joga uma partida com dois níveis no mesmo tabuleiro, e mantém os dois o tempo todo diante dos olhos. Num, calcula o lance que a plateia americana precisa ver hoje, o golpe ruidoso que rende manchete e alívio imediato. Noutro, prepara em silêncio a captura que só se revelará por completo em muitos anos, quando o material que importa já tiver mudado de dono. Os dois níveis convergem para a mesma data, porque a eleição brasileira é o momento em que se define se a mão amiga ou a mão hesitante assinará o que vier depois. E o que vier depois vai muito além da duração de um mandato.  

A escolha de outubro decide quem controla a maior carta de barganha que o Brasil acumulou em meio século: as terras raras, minerais que alimentam a corrida tecnológica do planeta. Essa decisão, uma vez tomada, amarrará o país por contratos de décadas, por instalações que se enraizarão no território, por alinhamentos que reorganizarão a inserção brasileira no mundo por mais de uma geração inteira. Não é para quatro anos que se vota em outubro. Votamos para os próximos 50. Quando as duas cosmologias colidem sobre o mesmo território, a fricção exige um ponto de ruptura, um lugar onde a teoria vira jurisdição, e a soberania vira variável operacional. Esse lugar, em 2026, tem nome, coordenadas e calendário eleitoral. Chama-se Brasil, e esse vota em outubro. 

A liturgia da alegoria cede ao registro dos fatos, e os fatos têm endereço, data e dois viajantes. Porque as duas marionetes do tabuleiro não foram movidas a distância apenas. Elas viajaram a Washington, cada uma a seu modo, e carregando uma fraqueza interna que esperava curar na antessala do enxadrista. Lula foi em 7 de maio – a peça pesada que se desloca a contragosto –, levado pela necessidade de conter um tarifaço que sabia que viria e que sangraria emprego, renda e também sua aprovação popular em ano de reeleição. Carrega o paradoxo de governar uma economia com inflação na meta, desemprego no menor patamar em mais de uma década e renda em recorde, e ainda assim ver a aprovação travada, corroída por uma percepção de mundo que os números não explicam. Buscava em Trump o alívio das tarifas – uma trégua que inviabilizasse o alinhamento com seu rival nas eleições.  

O Xerife sai à ronda: “Caçar. Encontrar. Acabar.” 

Flávio Bolsonaro foi semanas depois, peça que desliza sozinha ao encontro da mão do jogador americano e a afaga, e foi por razão mais crua. Dias antes, vazaram áudios em que ele cobrava de Daniel Vorcaro, banqueiro preso pela maior fraude financeira do país, as parcelas atrasadas de um financiamento de R$ 134 milhões para um filme sobre o pai. A pré-candidatura entrou em queda. O senador correu a Washington, não necessariamente para conter o dano interno ante a uma base eleitoral irredutível, mas para fabricar vitória e aumentar o vínculo com essa mesma massa de eleitores. E fabricou: dias depois do encontro, o governo americano designou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, atendendo a um pedido que ele comemorou em vídeo.  

Obviamente, seria pueril acreditar que Trump pensou em outrem que não em seus próprios interesses oníricos e megalomaníacos, entretanto, não se pode negar ao menos dois impactos imediatos: um foi conter perdas da sua campanha, e o outro, substituir as manchetes sobre seu escândalo. E o enxadrista cobrou de Lula um preço que sabia que seria pago, mas Flávio cobriu a oferta.  

Convém não cair em maniqueísmo. Lula não é o avesso integral da ordem que Trump representa. Administra, em boa medida, a mesma agenda de disciplina fiscal, juros altos e abertura ao capital que define o receituário neoliberal, e o faz com quadros saídos do próprio mercado financeiro. A diferença, real, está em outro plano: numa visão mais progressista nos costumes, na recusa a entregar a regulação digital e o sistema de pagamentos às corporações americanas, e sobretudo numa política externa que insiste em não escolher entre Washington e Pequim. É essa autonomia, não um suposto antiamericanismo doutrinário, que faz dele a peça que range. O enxadrista não pune Lula por ser seu completo oposto. Pune-o por se recusar a ser peça que não opõe resistência. Flávio, ao contrário, oferece a submissão como programa de governo, e é nessa oferta, mais do que em qualquer afinidade ideológica, que reside o seu valor para a mão que o move. 

A liturgia da coação, traduzida em fatos, ganhou sua peça mais recente na noite de 1º de junho de 2026, quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que práticas brasileiras em seis frentes são irrazoáveis e oneram o comércio americano, propondo tarifa adicional de 25% sobre os bens do país. O texto operativo enumera comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol, desmatamento. Cita, entre as justificativas, que tribunais brasileiros teriam emitido ordens determinando a empresas de mídia social americanas a remoção de conteúdo político.  

O prazo legal para a ação corretiva vai até 15 de julho, a quase três meses do primeiro turno, e a decisão final cabe a Trump. O calendário não é detalhe ou mesmo secundário. Uma tarifa de 25% sobre o café, a carne, o aço e o calçado que o Brasil vende aos Estados Unidos atinge emprego, renda e consumo em plena campanha. O custo da retaliação americana se converte, no debate eleitoral interno, em fatura apresentada ao governo que ousou resistir em um contexto que ainda necessita lidar com os impactos da guerra entre EUA e Irã. A medida pune o país, mas a conta chega ao tabuleiro político brasileiro endereçada a um nome: Lula. Trata-se do golpe mais recente de uma sequência, cuja lógica precede o ato e o explica. 

A sequência tem início declarado, e o início já era eleitoral. Em 19 de janeiro de 2025, véspera da posse de Trump, Steve Bannon apontou Eduardo Bolsonaro como futuro presidente do Brasil diante de uma delegação do Partido Liberal reunida em Washington. A profecia não descrevia o futuro, encomendava-o. Seis meses depois vieram o tarifaço de 50%, a Ordem Executiva 14323 de 30 de julho, a sanção Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e a abertura da investigação da Seção 301, cada medida justificada, no texto americano, pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela acusação de censura aos aliados que sustentam a candidatura da oposição.  

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte americana derrubou a tarifa amparada na lei de emergência econômica, restando apenas a alíquota universal de 10%. A coação não recuou diante da derrota judicial doméstica. Trocou de instrumento e manteve o conteúdo, porque o instrumento sempre foi um mero meio. O objetivo sempre foi o mesmo:chegar a outubro com o governo brasileiro acuado, e o nome ungido em Washington, fortalecido. A determinação de 1º de junho é a moldura jurídica que sobrevive ao próprio crivo do Judiciário americano, e essa sobrevivência, a poucos meses do voto, diz mais sobre o método do que qualquer comunicado. 

Resta a pergunta que a alegoria já insinuava e que os fatos tornam incontornável. Por que o Brasil, e por que agora?  

A resposta começa literalmente no subsolo. O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, aproximadamente 21 milhões de toneladas, em torno de 23% do total global, distribuídas por Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Esses 17 elementos são insumo sem substituto para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, semicondutores e sistemas de defesa – do caça de quinta geração ao míssil de cruzeiro. Nesse esteio, a China responde por cerca de 70% da extração e por perto de 90% do processamento mundial, e em abril de 2025 anunciou, sem aviso prévio, controles imediatos de exportação sobre sete elementos médios e pesados. Interrompeu cadeias de suprimento da noite para o dia. Foi um recado, o qual Washington ouviu com a urgência de quem descobriu, tarde, que a arma de estrangulamento financeiro que sempre operou contra terceiros podia ser virada contra si. 

A posição brasileira nessa cadeia carrega um problema estrutural que pesa sobre todo o argumento. Apesar da reserva colossal, o país responde por menos de 1% da produção mundial e não dispõe de refinaria industrial capaz de competir em escala. A separação química é executada apenas em nível laboratorial. O minério sai bruto e volta encarecido, depois de processado fora. Repete-se, no século da Inteligência Artificial, o roteiro que marcou o açúcar, o ouro e o café, a exportação de matéria-prima barata enquanto o valor agregado se fixa em outro lugar.  

O Ministério de Minas e Energia anunciou, em janeiro de 2026, o início da formulação de uma Estratégia Nacional de Terras Raras, movimento necessário e tardio na mesma frase, já que os demais jogadores entraram na partida há anos. A China dominou o tabuleiro do refino. Os Estados Unidos compram assentos com participação acionária e crédito público. A União Europeia aprovou seu regulamento de matérias-primas críticas em 2024. O Brasil começa a escrever a regra de um jogo que os outros disputam desde antes de o país perceber que tinha cartas na mão. 

O atraso americano nessa corrida é medível em quilos. Um único caça F-35 carrega mais de 400 quilos de terras raras em ímãs permanentes embutidos nos atuadores de controle de voo, nos sensores de aviônica e nos sistemas eletromecânicos do casco. Um destróier da classe Arleigh Burke consome mais de 2,5 toneladas desses materiais. Cada munição de precisão, do giroscópio a laser ao atuador de aleta que corrige a trajetória de um míssil, depende de algo entre 50 e 500 gramas de elementos pesados que suportam calor extremo sem perder magnetização, e é justamente nesses elementos pesados, o disprósio e o térbio, que a China detém perto de 95% da capacidade mundial de metalização.  

O ponto deixou de ser teórico em 2022, quando inspetores encontraram um ímã de samário-cobalto de origem chinesa no motor de um F-35, obrigando o Pentágono a suspender entregas e, em seguida, a assinar um waiver para que a produção continuasse, ímã chinês incluído, enquanto procurava um substituto que não existia. A joia da coroa do poderio militar americano dependia, na própria sala de máquinas, do adversário que pretendia conter.  

O Congresso reagiu, fixando 1º de janeiro de 2027 como o prazo a partir do qual nenhum componente de terra rara de origem chinesa poderá entrar em sistema de armas americano. A exigência torna o suprimento alternativo não uma vantagem comercial, mas uma corrida contra o relógio. E o mesmo ímã que orienta a aleta de um míssil aciona os discos rígidos que sustentam os data centers de Inteligência Artificial, de modo que a fragilidade militar e a fragilidade tecnológica não são dois problemas, mas o mesmo gargalo lido em duas escalas. É esse gargalo que faz da reserva brasileira não uma riqueza adormecida, mas uma peça que o enxadrista precisa capturar antes que o relógio de 2027 dispare. 

Daí a lógica do lance profundo. Em 20 de abril de 2026, a USA Rare Earth, empresa com participação federal anunciada em janeiro e crédito do CHIPS Act, adquiriu a Serra Verde, controladora da mina Pela Ema, em Goiás, a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer em escala os quatro elementos magnéticos. O contrato amarra, por 15 anos, toda a produção da primeira fase a um veículo financeiro capitalizado por entidades do governo americano. A peça foi protocolada na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos sem coletiva, sem cerimônia, sem ratificação eleitoral. O ativo permanece em solo brasileiro. O destino do que ele extrai já foi decidido em Stillwater, Oklahoma, antes que o Senado brasileiro começasse a discutir a Política Nacional de Minerais Críticos, aprovada na Câmara em 6 de maio. 

Reduzir a cobiça americana ao minério seria, no entanto, perder de vista a segunda metade do lance. As terras raras são o insumo. O que se constrói com elas é a infraestrutura material de duas transições que correm em paralelo e disputam os mesmos elementos, a da IA e a da energia. Na primeira, os ímãs de neodímio e disprósio acionam os discos rígidos e os sistemas de refrigeração dos data centers, e os chips treinados nesses centros dependem de GPUs, cuja oferta global se concentra em uma única empresa americana. Na segunda, os mesmos elementos pesados movem os geradores das turbinas eólicas e os motores dos veículos elétricos que sustentam a descarbonização. A disputa não é por um mercado, é por dois ao mesmo tempo, e quem controla o elemento na origem controla as duas transições na ponta. 

A fronteira mais distante dessa segunda corrida torna o argumento ainda mais agudo, porque ali a dependência material muda de natureza sem deixar de ser crítica. A energia por fusão nuclear, prometida como fonte limpa e quase inesgotável, não queima combustível fóssil, reproduz o próprio combustível dentro do reator. O trítio, isótopo do hidrogênio que alimenta a reação, praticamente não existe na natureza e precisa ser fabricado ali mesmo, gerado a partir do lítio em mantos de regeneração que revestem a parede interna da câmara do reator, num num ciclo em que os nêutrons liberados pela reação produzem o combustível da reação seguinte.

Nesse tópico, o gargalo de terras raras se dá por outra via. O combustível da fusão depende do lítio enriquecido, com berílio e chumbo como multiplicadores de nêutrons que mantêm o ciclo de regeneração funcionando. As terras raras sustentam os hidretos de ítrio que moderam o fluxo de nêutrons e os supercondutores de alta temperatura que seguram os ímãs de confinamento do plasma a milhões de graus. A fusão, então, não depende de um material, depende de um feixe deles, cada um com seu próprio ponto de estrangulamento. O Brasil é peça relevante numa dessas cadeias e o que a disputa global ensina é que deter um elo crítico de um feixe estratégico, num momento em que o suprimento de cada material da fusão é tratado como questão de soberania, vale mais do que toda a retórica de país do futuro acumulada em um século. 

Há ainda um terceiro proveito, e talvez o mais decisivo na contabilidade de Washington. Cada tonelada de terra rara brasileira que entra no circuito americano, e cada data center que se instala sob bandeira das corporações dos Estados Unidos, é uma tonelada e um servidor a menos no raio de influência chinês. A China é hoje a maior parceira comercial do Brasil, financia infraestrutura, domina o processamento que o Brasil ainda não tem e oferece a tecnologia de refino que o Ocidente nega. Em 18 de maio de 2026, Lula declarou esperar que Trump deixasse de brigar com Xi Jinping e passasse a se associar ao Brasil em projetos do setor, sinal de uma diplomacia que recusa a escolha forçada entre os dois polos.  

Um governo submisso encerraria essa ambiguidade em sentido conveniente a Washington. Romperia a triangulação, fecharia a porta de refino chinês, entregaria o controle do “novo pré-sal” a uma frente anti-China montada em Washington em fevereiro de 2026, quando Trump convocou mais de 50 países para um mecanismo de preço mínimo destinado a tirar de Pequim o poder de definir sozinha o valor do minério. Mitigar a atuação chinesa no Brasil não é efeito colateral do projeto americano. É um de seus objetivos centrais, e o que está em disputa na urna de outubro é precisamente quem assina essa r’uptura. Resta, entretanto, saber se os impactos negativos das imposições estadunidenses serão metabolizados por algum viés nacionalista que o converta em perda política para Flávio. Mesmo assim, há todos os subsídios para que, em um eventual governo Lula 4.0, o risco trumpista seja sempre decisivo nas considerações e resulte em maiores concessões. 

Repete-se, há quase um século, que o Brasil é o país do futuro, e o gracejo já gasto vislumbra com convicção que assim seguirá, indefinidamente, no futuro. O que a determinação de 1º de junho ilumina é que o futuro adiado talvez nunca tenha sido só questão de competência interna ou de azar histórico. As terras raras, os data centers, a energia limpa, a posição geográfica e a conjuntura geopolítica formam, pela primeira vez em muito tempo, uma carta de barganha real, capaz de financiar a industrialização que se prometeu por gerações.  

Essa carta só vale, porém, enquanto o Brasil for jogador, e não peça. Quando o enxadrista move uma marionete que se oferece a ser movida, o que se entrega não é uma eleição. É uma grande chance de o país do futuro finalmente alcançar a promessa. A pergunta que deixo, portanto, não comporta resposta confortável: de que adianta sonhar com o país do amanhã, se aceitamos rifar esse amanhã pelo preço de uma faixa presidencial hoje?

 

Marcus Tavares é pesquisador voluntário do OPEU/INCT-INEU na área de economia, doutorando e mestre em Economia Política Internacional no Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PEPI/UFRJ) e bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto de Relações Internacionais e Defesa (IRID/UFRJ). 

** Revisão e edição: Tatiana TeixeiraEste conteúdo não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU. 

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