Documentos

Departamento de Inteligência publica relatório anual das ameaças à segurança nacional dos EUA

Crédito: 

Por Yasmim Abril M. Reis* [Documentos] [Inteligência] [Ameaças globais] 

Em março de 2026, o Departamento de Inteligência Nacional dos Estados Unidos publicou o relatório anual com a avaliação das principais ameaças à segurança dos EUA para este ano. O documento é lançado anualmente, conforme estabelecido na Lei de Autorização de Inteligência FY21. O objetivo da avaliação consiste na entrega, aos formuladores de política, aos combatentes de guerra e aos departamentos associados à Segurança Nacional, de uma avaliação das principais ameaças aos interesses nacionais e às vidas estadunidenses.  

O documento destaca que o ambiente internacional tem-se tornado mais complexo. A partir dessa identificação, o texto reconhece que o surgimento de novas tecnologias, como a Inteligência Artificial (IA) e a computação quântica, terá impactos significativos sobre a segurança nacional estadunidense e exprime preocupação com a intensificação da competição sobre a cadeia de suprimentos e da primazia tecnológica. Desse modo, o manuscrito elenca os desafios tecnológicos, os vetores de ameaça diversos – militar, espacial, cibernético e modernização dos arsenais de armas químicas, biológicas e nucleares (armas de destruição em massa) – e os desafios regionais em várias partes do mundo, incluindo preocupações com sua segurança interna (Homeland, em inglês). 

No que concerne às inquietações a respeito da segurança interna, destacam-se: o crime organizado transnacional, o tráfico de drogas, a migração, o terrorismo islâmico, a competição entre as grandes potências e a ameaça de armas de destruição em massa. Na dinâmica das organizações criminosas transnacionais e migração, o documento relata que grupos como Tren de Aragua e Mara Salvatrucha (MS-13) estão exacerbando a violência e a instabilidade na América Latina e, por consequência, nos Estados Unidos. O relatório menciona que o governo Donald Trump tem reagido, mediante a aplicação de políticas migratórias e fronteiriças mais rigorosas na fronteira entre os EUA e o México, reduzindo o fluxo migratório.  

Ainda sob esse tópico, o documento identifica que o terrorismo islâmico persiste como uma ameaça complexa (embora muito mais fraca do que em picos anteriores), na medida em que representa ameaça para a liberdade e vidas estadunidenses tanto doméstica quanto externamente. Além disso, ainda no tópico sobre segurança nacional, o texto identifica o Ártico como uma área estratégica, tipificando a Rússia como o principal desafio na região, por meio de sua presença militar e econômica. Destaca ainda que a China também se faz presente na localidade, buscando ampliar sua influência via parcerias e projetos, a exemplo da Rússia. 

Os desafios tecnológicos são postos no documento como uma problemática que terá um impacto significativo e multifacetado na segurança nacional dos Estados Unidos, em especial a IA e a computação quântica. Ambas as tecnologias prometem transformar e melhorar as capacidades militares, de Inteligência e de segurança nacional ante a automação dos processos complexos. Apesar dos avanços tecnológicos, o documento identifica que essas tecnologias também podem carregar riscos, incluindo a necessidade de uma engenharia humana cuidadosa para mitigar o risco da automação mal controlada, o que afetaria decisivamente as operações militares e de segurança.  

Por fim, o relatório expõe desafios regionais. Dentre eles, destaca-se, primeiro, a América Latina, em convergência com a Estratégia de Segurança Nacional de 2025. Segundo o manuscrito, a região enfrenta problemas econômicos, criminalidade, migração e influência estrangeira que ameaçam os interesses dos Estados Unidos, com destaque para a recente situação na Venezuela e as tensões no acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês).  

A avaliação anual de ameaças objetiva, assim, fornecer ao Congresso norte-americano e à população atualizações das ameaças à Segurança Nacional, detalhando os desafios para o ano em curso e para as próximas décadas. O documento também delineia um projeto de ameaça e risco no curto e no longo prazo.

 

Yasmim Abril M. Reis é doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP/UNICAMP/PUC-SP) e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa da Escola Superior de Guerra (PPGSID/ESG). É pesquisadora colaboradora no Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU) nas áreas de Segurança e Defesa, pesquisadora colaboradora no Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (GEDES), líder de pesquisa voluntária no Laboratório de Simulações e Cenários na linha de pesquisa de Biodefesa e Segurança Alimentar (LSC/EGN) e Pesquisadora de geopolítica no Núcleo de Avaliação da Conjuntura (Boletim Geocorrente-NAC/EGN). Contato: reisabril@gmail.com. 

** Revisões são de responsabilidade dos autores. Este conteúdo não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU. 

*** Sobre o OPEU, ou para contribuir com artigos, entrar em contato com a editora Tatiana Teixeira, no e-mail: tatianat19@hotmail.com. Sobre as nossas Newsletters, para atendimento à imprensa, ou outros assuntos, entrar em contato com Tatiana Carlotti, no e-mail: tcarlotti@gmail.com. 

 

Assine nossa Newsletter e receba o conteúdo do OPEU por e-mail. 

Siga o OPEU no InstagramXLinkedin e Facebook  

e acompanhe nossas postagens diárias. 

Comente, compartilhe, envie sugestões, faça parte da nossa comunidade. 

Somos um observatório de pesquisa sobre os EUA,  

com conteúdo semanal e gratuito, sem fins lucrativos. 

Realização:
Apoio:

Conheça o projeto OPEU

O OPEU é um portal de notícias e um banco de dados dedicado ao acompanhamento da política doméstica e internacional dos EUA.

Ler mais