Pentágono admite fracasso no treinamento de rebeldes sírios
O Pentágono pretende rever o programa de treinamento de forças opositoras na Síria após constatar seu fracasso inicial. No dia 9, o secretário de Defesa Ashton Carter admitiu que a tarefa é difícil e precisa ser revisada. A expansão do programa, como pretende o secretário, necessita que o Congresso aprove verba extra de US$ 600 milhões. O problema é que até os congressistas mais intervencionistas consideram o plano uma piada. Aprovado em 2014, o programa vigente teve um orçamento de US$ 500 milhões e o objetivo de treinar 5.400 combatentes. Em um ano, foram treinados apenas 54 opositores. O mais grave é que quase todos esses homens foram mortos ou capturados pelo Estado Islâmico (EI) ou pela Frente Al Nusra. Para Chris Kozak, analista para a Síria no Institute for the Study of War, o erro foi não ligar o treinamento à luta civil contra o governo de Bashar al-Assad, visto pelos rebeldes como o verdadeiro inimigo. Ao enfatizar o combate a grupos terroristas, o Pentágono não conseguiu atrair os combatentes. Outro problema foi o medo de que os candidatos se juntassem aos terroristas, o que desqualificou muitos pretendentes. Para Kozak, ampliar o programa sem nova estratégia é insistir no erro e o melhor seria treinar um número menor de combatentes para proteger as fronteiras sírias. Militares dos EUA estimam que o EI possua 30.000 membros no Iraque e na Síria. De acordo com um relatório da revista Jane’s, especializada em assuntos de defesa, al-Assad controla somente um sexto do território sírio, com o EI e seus associados dominando o restante.