Energia e Meio Ambiente

Potências alcançam acordo histórico com Irã

O grupo chamado de P5+1 e o Irã chegaram a um acordo provisório, no dia 24, sobre o programa nuclear do país. Assinado em Genebra no dia 24, o Plano de Ação Conjunta vale por seis meses e interrompe 10 anos de impasse. Durante a sua vigência, o Irã não vai enriquecer urânio acima de 5%, estágio bem abaixo do necessário para a construção de armas nucleares. O país concordou em diluir para o nível de 5% a metade do estoque atual de urânio enriquecido a 20%. O restante será transformado em óxido de urânio, que pode ser usado como combustível nuclear, mas não ser reconvertido em urânio enriquecido. As instalações de Natanz, Fordo e Arak terão suas atividades temporariamente interrompidas. O Irã também garante que não vai reprocessar urânio, método que gera o plutônio para fins bélicos. Por último, o país aceita inspeções rígidas e frequentes pela Agência Internacional de Energia Atômica. Em troca, parte das sanções internacionais será suspensa, como as que atingem exportações iranianas de metais preciosos, petroquímicos e automóveis, e importações de peças para a aviação civil. Essas concessões devem somar aproximadamente US$ 1,5 bilhão. O embargo ao petróleo não será aumentado e cerca de US$ 4 bilhões em ativos congelados no exterior serão liberados. As potências também prometem não aplicar novas penalidades. Sobre o direito de o país enriquecer urânio, um ponto sensível para os envolvidos, os EUA dizem que não houve reconhecimento. Para o Irã e muitos analistas, o texto admite que essa premissa constará do acordo definitivo a ser negociado em até um ano. Mesmo temporário, o avanço é histórico e o passo mais concreto para um entendimento na última década. Indica também o ponto de maior aproximação entre EUA e Irã desde 1980, ano em que as relações diplomáticas foram rompidas. Além das reuniões com o grupo, o Irã manteve conversas sigilosas com os EUA. Os encontros, ocorridos em Omã, tiveram a presença de diplomatas de alto escalão de ambos os países. Na campanha para reeleição em 2012, o presidente Barack Obama já tinha indicado que o diálogo bilateral podia ser a solução para a questão. A estratégia de Obama foi combinar diplomacia e coerção: nenhum de seus antecessores se aproximou tanto do Irã ou aplicou sanções tão duras contra o país. Apesar das penalidades, o presidente tem sido acusado por republicanos e aliados de ser excessivamente tolerante. Como esperado, o resultado em Genebra foi mal recebido em Israel e na Arábia Saudita, antagonistas do Irã no Oriente Médio. Muitos analistas acreditam que o sucesso do acordo pode reordenar as relações regionais e significar o mais importante legado de Obama em política externa.

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