Jamieson Greer, o representante comercial dos Estados Unidos
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent (à esq.), e o USTR, Jamieson Greer, em Genebra, após entrevista coletiva pelo segundo dia de uma reunião bilateral entre os EUA e a China, em 11 de maio de 2025 (Crédito: KEYSTONE/EDA/Martial Trezzini/Flickr)
Por Andy Mickelly Canovas Lima* [Informe OPEU] [Trump 2.0] [Tarifas] [Comércio]
Jamieson Greer é membro do Partido Republicano, serviu como oficial da Força Aérea dos EUA no Corpo de Advocacia Geral e ingressou na política comercial, tornando-se chefe de gabinete do Representante de Comércio dos EUA (USTR), Robert Lighthizer, durante o primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021). Sua atuação alinhada à agenda protecionista de Trump posicionou-o como um aliado estratégico, o que culminou em sua nomeação como Representante de Comércio dos EUA em fevereiro de 2025. Seu trabalho é conduzir a aplicação prática das medidas tarifárias e defendê-las publicamente, perante o Congresso e a imprensa. Embora não seja o formulador original das estratégias, papel desempenhado por Peter Navarro, Greer é uma peça-chave na execução e na manutenção dessas políticas, garantindo que sejam implementadas de forma consistente e em conformidade com os objetivos da Casa Branca.
Para sustentar juridicamente as tarifas, Greer se ampara na Lei de Emergência Econômica Internacional (IEEPA), argumentando que esse instrumento legitima a imposição de barreiras comerciais em nome da segurança econômica dos Estados Unidos. Entre as tarifas que mais defende estão as de 25% sobre aço e alumínio, as quais ele considera praticamente imutáveis e fechadas para qualquer negociação em curto prazo. Além disso, Greer reforça que essas medidas não são apenas punitivas, mas também estratégicas para proteger a indústria nacional, reduzir a dependência de importações e estimular a reindustrialização do país.
Mesmo diante de críticas internas e externas, incluindo pressões de setores agrícolas e de parceiros comerciais prejudicados pelas retaliações, como União Europeia e Japão, Greer mantém uma postura firme. Para ele, assim como para Navarro, as tarifas são um pilar central da estratégia econômica americana no atual governo, refletindo uma visão fortemente protecionista e nacionalista que prioriza a competitividade doméstica em detrimento de concessões multilaterais. Sua influência molda a implementação das medidas, e ele negocia exceções pontuais com setores diretamente afetados. Sob sua liderança, decisões como a revogação da isenção “de minimis” para pequenas importações da China, que encareceu produtos de baixo valor no comércio eletrônico, exemplificam seu papel em traduzir a visão estratégica da Casa Branca em ações concretas, com impactos diretos tanto para cadeias produtivas quanto para consumidores.
Em seu discurso público, Greer sustenta que os efeitos imediatos sobre preços e cadeias de suprimento são (ou serão) compensados pelos ganhos na produção interna e na segurança econômica. Do mesmo modo, insiste em que essas medidas são fundamentais para consolidar a posição dos Estados Unidos no comércio global. Sua atuação evidencia não apenas a execução de uma política tarifária rígida, mas também a articulação entre política econômica, indústria nacional e diplomacia, tornando-o um dos principais protagonistas da agenda comercial da administração Trump. ![]()
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Conheça alguns dos textos da autora publicados no OPEU
Informe “Entre a cruz e a fronteira: a tensão simbólica entre papa Francisco e Donald Trump”, 25 abr. 2025
Informe “A postura dos EUA no Acordo de Paris sob a ótica Trumpista”, 26 nov. 2024
Informe “Perdão presidencial e polarização: o conflito político após o ataque ao Capitólio”, 7 mar. 2025
Informe “A tensão simbólica entre Papa Francisco e Donald Trump”, 25 abr. 2025
* Andy Mickelly Canovas Lima é graduanda do oitavo semestre do curso de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi e aluna participante do projeto de extensão da referida instituição em parceria com o OPEU. Contato: andy.mickelly@gmail.com.
** Revisão e edição finais: Tatiana Teixeira. Recebido em 9 de agosto. 2025. Este Informe não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU.
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