Publicações / Informe OPEU

Nossos informes são resumos dos principais fatos de política doméstica e internacional dos Estados Unidos. O Informe OPEU é publicado a cada 15 dias com o conjunto dessas notícias.

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Deslocamento russo para a Síria é o maior em décadas

Seis navios de guerra russos entraram no Mediterrâneo, no dia 16. Os navios se juntarão a outros dez, enviados para uma região próxima à Síria nos últimos três meses. A localização final da frota deve ser definida até setembro, mas é provável que seja perto de Tartus, base russa na Síria. A movimentação é considerada a maior das últimas décadas e teria como objetivo impedir uma intervenção internacional no país árabe. Os russos já transferiram mísseis Yakhont para o governo sírio, e consideram enviar submarinos nucleares e baterias antiaéreas S-300 em breve. Os Yakhonts antinavios e os submarinos dificultariam o repasse de armas ocidentais às forças de oposição síria pelo litoral. Já os S-300, que podem destruir aeronaves, impediriam o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea. Alguns militares dos EUA veem a iniciativa como uma demonstração de poder e uma ameaça a Israel. Parte dos artefatos bélicos poderia ser transferida ao Hezbollah, no Líbano. Para outros, a manutenção da base pela Rússia é positiva para o encerramento da guerra civil. Isto porque a Rússia estaria mais disposta a romper com o regime em Damasco se souber que sua presença militar não estará ameaçada em um cenário pós-Assad. A posição de senadores nos EUA tem um tom menos conciliador. Para o Bob Corker (R-TE), membro do Comitê de Relações Externas, o conjunto de ações militares russas é mais um indicativo de que os EUA precisam armar as forças moderadas da oposição síria. A opinião é compartilhada por veteranos, como o senador John McCain (R-AZ).

CEO da Apple fala ao Senado sobre transferência de lucros

O CEO da Apple, Tim Cook, prestará depoimento no Subcomitê Permanente de Investigações do Senado, no próximo dia 21. A audiência pública terá como tema a transferência de lucros a outros países para evitar impostos nos EUA. O senador Carl Levin (D-MI), que preside subcomitê, criticou publicamente executivos de outras empresas de tecnologia, como Microsoft e HP, em sessões anteriores pelas mesmas práticas. Um relatório do JP Morgan estima que empresas dos EUA possuam US$ 1,7 trilhão no exterior. Segundo dados da própria Apple, a empresa teria US$ 145 bilhões disponíveis em caixa, mas apenas US$ 45 bilhões mantidos em bancos nos EUA. No mês passado, a empresa teria captado US$ 17 bilhões no mercado para pagar dividendos a seus acionistas. A manobra foi entendida como uma maneira de evitar recolhimento de impostos nos EUA. Por outro lado, Cook já declarou que pretende apresentar propostas de simplificação da legislação fiscal. O CEO afirmou que defenderá medidas específicas para encorajar companhias a trazer recursos de volta para os EUA, e investir na criação de empregos e em pesquisa e desenvolvimento. Cook alega que empresas pagam até 35% de impostos na repatriação de capital. As taxas são impraticáveis quando comparadas a outros países. Cook não pede por uma isenção completa, mas por uma taxação moderada. Nos últimos meses, a Apple anunciou a transferência de parte de sua produção para o país. Em um projeto de US$ 100 bilhões, componentes serão produzidos no Arizona e computadores Mac serão montados no Texas. Segundo Cook, a previsão é de que a Apple recolha US$ 7 bilhões em impostos nos EUA em 2013.

Câmara prepara versão mais conservadora de lei migratória

O grupo bipartidário da Câmara que trata da reforma migratória anunciou um início de acordo, no dia 16. A questão de como os imigrantes pagariam por seus planos de seguro saúde foi solucionada, apesar dos detalhes não terem sido divulgados. Uma das questões ainda pendentes é quanto ao programa de vistos temporários de trabalho. Democratas apoiam o acordo fechado pela Câmara de Comércio dos EUA e o AFL-CIO, mas republicanos acham que o texto favorece demais o movimento trabalhista e pedem por cotas maiores de vistos. O porta-voz da Casa, John Boehner (R-OH), quer que o documento concluído e introduzido em plenária até junho. A ideia é apresentá-lo antes do texto do Senado, que encontra-se mais avançado e já foi encaminhado a seu Comitê Judiciário. No âmbito geral, as duas propostas são semelhantes, incluindo a possibilidade de legalizar os 11 milhões de imigrantes em situação irregular no país e o aumento das medidas de segurança na fronteira. Contudo, a versão da Câmara deverá ser mais rígida. Por esse motivo, o representante John Carter (R-TX) acredita que ela tenha mais chances de ser aprovada pela maioria republicana da Casa. Na proposta, um total de 15 anos seriam necessários até a obtenção de cidadania, e não 13, como querem os senadores. Além disso, os imigrantes terão de assinar um termo admitindo que violaram as leis de imigração. Como ainda existem muitas diferenças, o presidente do Comitê Judiciário da Câmara, Bob Goodlatte (R-VA), cogita a possibilidade de dividir a proposta da Câmara em vários projetos de lei menores.

Usina de reprocessamento no Japão preocupa o governo Obama

A administração Obama se opõe à ativação, prevista para outubro, da usina de processamento japonesa de Rokkasho. Construída na província de Aomori, a instalação terá capacidade para produzir nove toneladas anuais de plutônio através do reprocessamento de resíduos nucleares. Os EUA se preocupam com o volume do material armazenado, já que não há demanda suficiente pelo combustível nas usinas do país. Após o acidente na usina de Fukushima, em 2011, o Japão desativou a maioria de seus reatores nucleares, e os que restam em operação são alimentados por urânio. Apesar de o primeiro ministro Shinzō Abe ter sinalizado que pretende reativar as usinas que atenderem a padrões de segurança, a administração Obama se preocupa com o impacto da decisão. Washington teme que a iniciativa estimule uma corrida por tecnologia e armas nucleares na Ásia e no Oriente Médio. Embora Tóquio afirme que o material será usado apenas para geração de eletricidade, Rokkasho daria ao país combustível para cerca de 2 mil bombas, o que deve gerar reações em países da região. A Coreia do Sul já pressiona pela revisão de um acordo com os EUA que a impede de enriquecer urânio e reprocessar material usado. Seul demanda as mesmas condições do Japão, e afirma que a técnica facilitaria o armazenamento de resíduos e o abastecimento de usinas. A China também anunciou, no início do mês, a construção de uma usina com capacidade equivalente a de Rokkasho. Especialistas acham que Pequim deverá responder ao aumento da capacidade japonesa de produzir matéria-prima para armamentos.

Rússia expulsa diplomata dos EUA acusado de espionagem

O serviço de inteligência russo FSB prendeu, no dia 13, um diplomata dos EUA acusado de espionagem. Ryan Fogle seria suspeito de tentar convencer um agente do FSB a trabalhar para a CIA. A proposta incluiría US$ 100 mil imediatos e até US$ 1 milhão por ano ao russo, que atua no combate ao terrorismo no norte do Cáucaso. A prisão foi filmada e transmitida na televisão, o que não é uma prática usual nessas situações. O diplomata foi liberado no dia seguinte, com ordens para deixar o país. O governo dos EUA não quis comentar o caso. Reunidos na Suécia para um encontro do Conselho do Ártico, no dia 15, o secretário de Estado John Kerry e o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov evitaram o tema. Lavrov afirmou que o assunto já havia sido esclarecido, e Kerry disse que ele e seu contraparte estão focados em buscar uma solução para a crise na Síria. O fato de o agente russo atuar no Cáucaso pode indicar que o episódio se relaciona com os atentados em Boston. A família dos irmãos Tsarnaev, acusados do atentado, tem origem chechena. Em 2011, o FSB alertou o FBI e a CIA sobre atividades suspeitas dos Tsarnaev. O FBI chegou a entrevistar um dos irmãos na época, mas arquivou o caso por falta de provas. Após o atentado, o FBI acusou o FSB de reter informações que poderiam ter levado à prisão preventiva de Tsarnaev. O caso de Fogle pode ser apenas um acerto de contas entre as agências, mas alguns analistas acham que a motivação foi política. Em vias de um possível acordo sobre a Síria, o Kremlin teria tentado mostrar a seus aliados sua autonomia em relação aos EUA.

 

AIE melhora previsão para produção de petróleo nos EUA

A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que os EUA serão responsáveis por um terço do crescimento na oferta mundial de petróleo dos próximos cinco anos. Segundo relatório publicado no dia 14, a produção da América do Norte deve crescer cerca de 3,9 milhões de barris por dia entre 2012 e 2018, impulsionada pela exploração nos EUA e no Canadá. A região seria responsável por mais da metade do aumento da produção fora da OPEP. A previsão é ainda mais positiva do que a divulgada em novembro, quando a agência estimou que os EUA se tornariam o maior produtor de petróleo do mundo até 2020. O crescimento na produção do recurso no país se deve à exploração de reservas de gás e petróleo de xisto através de novas técnicas de extração. Segundo analistas, a mudança no prognóstico se deve a ganhos de eficiência da indústria petrolífera nos últimos seis meses. Apesar do otimismo, especialistas apontam que o atual ritmo de crescimento da produção depende de os preços do petróleo continuarem relativamente elevados. Reduções recentes nos custos de produção ampliaram a margem de queda dos preços sem comprometimento da rentabilidade dos investimentos. Entretanto, analistas apontam um limite para essa margem de segurança. Embora o valor mínimo varie conforme a metodologia de cálculo, análises indicam que o barril vendido a menos de US$ 75 inviabilizaria a exploração de reservas não convencionais, como as de petróleo de xisto, devido aos custos elevados envolvidos no processo.

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