EUA perdem direito de voto na UNESCO
Os EUA perderam o direito de voto na UNESCO, organização da ONU para a promoção de educação e cultura. A agência anunciou a medida, no dia 8, devido à inadimplência dos EUA. Pelo estatuto da UNESCO, um membro devedor por mais de dois anos perde o direito de voto na instituição. A suspensão do pagamento pelos EUA ocorreu em 2011, após a UNESCO seguir uma decisão da Assembleia Geral da ONU e reconhecer a Palestina como Estado membro. O corte automático da verba foi baseado em duas leis dos EUA. A primeira, de 1990, proíbe o financiamento da Organização para Libertação da Palestina através da ONU ou de suas agências. Outra legislação de 1994 impede contribuição financeira para agências da ONU que admitam como membros grupos ou organizações que não tenham status de Estado. Antes da suspensão das verbas, os EUA eram o maior financiador da organização, contribuindo com cerca de 22% do orçamento total. Desde então, alguns programas da UNESCO tiveram que ser cancelados ou paralisados, incluindo projetos que contam com apoio dos EUA. Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, viajou a Washington em 2011 para tentar persuadir o Congresso a não implementar os cortes. Bokova contou com o suporte do governo Obama, que propôs mudanças na legislação no ano seguinte. Os congressistas, no entanto, mantiveram a postura contrária. Para Esther Brimmer, ex-secretária adjunta de Estado, a perda de voto na UNESCO tira dos EUA parte da capacidade de influência externa em temas sobre educação e cultura. O mesmo pode acontecer em outras áreas, como a de saúde, caso a Palestina seja reconhecida pela OMS.