Coleção ‘Relações Internacionais’ da EDUFSC lança ‘Imperialismo: um estudo’, de John Hobson
“O pudim de ameixa em perigo, ou, epicuristas do Estado tomando uma pequena sopa. O próprio grande Globo e tudo o que ele contém é pequeno demais para satisfazer apetites tão insaciáveis”. Na charge de H. Humphrey, de 26 fev. 1805, o premiê britânico William Pitt e o imperador francês Napoleão dividem um grande pudim de ameixa com um mapa-múndi desenhado. A fatia de Pitt é bem maior do que a de Napoleão (Fonte: Wikimedia Commons).
Por EDUFSC* [Divulgação] [Lançamento de livro]

A coleção Relações Internacionais e Estado Nacional (RIEN), da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EDUFSC), tem o desafio de pluralizar e enriquecer as Relações Internacionais e áreas afins a partir da publicação de obras cuja mirada crítica nos permita pensar acerca da nossa condição material, do nosso subdesenvolvimento e das disputas de poder internacionais (e nacionais) e, assim, romper com estruturas tradicionalmente opressivas.
Esse mês, a RIEN publica o livro “Imperialismo: um estudo”, de John Hobson. Pela primeira vez em português, a obra de Hobson tem como objeto de estudo a expansão territorial do Império Britânico entre 1870 e a Primeira Guerra Mundial. A partir de dados empíricos, o autor demonstra como países industrializados, Inglaterra em específico, lutam pelo mercado consumidor e produtor e pela matéria-prima em países e regiões periféricas. Apresenta, assim, um estudo bastante denso sobre a relação entre capitalismo e imperialismo a partir de uma leitura classista evidenciando como o imperialismo beneficia a classe econômica dominante.
“Imperialismo: um estudo” é dividido em duas partes nas suas quase 400 páginas. A primeira trata das origens econômicas do imperialismo apresentando a relação entre capitalismo e imperialismo com extenso uso de dados empíricos). Já a segunda parte trata da “política do imperialismo”, ou seja, o papel da moralidade, do racismo e da “missão civilizatória” como justificativa para expansão territorial. Em um sistema internacional caracterizado pela ampliação de movimentos, grupos e partidos políticos que pregam um nacionalismo exacerbado, como o atual; a segunda parte da obra de Hobson se torna ainda mais importante já que o autor apresenta o uso da moralidade e de um suposto “interesse nacional” para justificar mecanismos de expansão imperial.
Assim, o autor discorre sobre como o imperialismo é prática de países capitalistas que envolve a política, a economia e a cultura. Envolve ainda a expansão de práticas autoritárias domésticas para o âmbito externo. Por fim, evidencia que práticas imperialistas são classistas.
Em suma, a obra de Hobson é um clássico para os estudos sobre imperialismo e capitalismo. Influenciando marxistas como Lênin e Trotsky, o livro do britânico é inovador ao tratar da expansão territorial do, então, maior império global – Reino Unido; e sua relação intrínseca com a estrutura capitalista. Passados 120 anos, a obra continua sendo muito atual – basta olhar a política externa conduzida pelo atual presidente dos Estados Unidos. ![]()
Mais informações disponíveis no site da EDUFSC.
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