Leia com o OPEU, n.2: EUA x China, a disputa que definirá o século XXI
Crédito: Mosaico feito pelos autores com o site Montagem de fotos
Por Tatiana Teixeira e Filipe Mendonça* [Divulgação] [Leia com o OPEU] [Chutando a Escada]
Para entender a disputa entre Estados Unidos e China, é preciso recuar até 1776. Essa é a tese de Pedro Costa Jr., editor de Geopolítica e Relações Internacionais do Jornal GGN, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e autor do recém-lançado Estados Unidos versus China, a luta pelo poder global, publicado pela Editora Escuta. Conheça o livro nesta resenha republicada pelo OPEU.
Para quem quiser entender melhor o tema, trazemos, neste Leia com o OPEU n. 2, indicações, feitas pelo próprio Pedro. Essas obras revelam parte da tradição intelectual que embasa sua pesquisa: autores ligados à economia política internacional, à teoria do sistema-mundo e aos debates sobre hegemonia, poder global e transições na ordem internacional.
Como aquecimento, sugerimos o episódio homônimo com o autor no podcast Chutando a Escada, publicado na semana que passou.
Sempre que possível, os links direcionam às páginas das editoras, utilizadas aqui como referência institucional das obras indicadas. Internet Archive ou links de resenhas sobre os livros também poderão ser usados.
- ANDERSON, Perry. “Balanço do neoliberalismo”. In: SADER, Emir; GENTILI, Pablo (orgs.). Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.
No ensaio, Perry Anderson revisita a gênese, ascensão e aplicação da ideologia neoliberal como projeto político e econômico hegemônico, a partir das décadas de 1970 e 1980. O texto é uma referência importante para compreender as transformações do capitalismo contemporâneo, a crise do Estado de bem-estar social e os impactos políticos da globalização neoliberal, especialmente na América Latina.
- ARRIGHI, Giovanni. O longo século XX: dinheiro, poder e as origens do nosso tempo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.
Clássico da economia política internacional e pilar para a análise de sistemas-mundo, o livro reconstrói a história do capitalismo, com base na sucessão de ciclos de acumulação e hegemonia, de Gênova aos Estados Unidos. Arrighi argumenta que períodos de expansão financeira costumam sinalizar fases de crise e transição no sistema mundial, uma ideia fundamental para interpretar os debates contemporâneos sobre o possível declínio relativo da hegemonia americana e a ascensão chinesa. O livro é, portanto, referência para entender a lógica das disputas globais, incluindo o papel dos EUA e da China na atualidade.
- ARRIGHI, Giovanni. Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI. São Paulo: Boitempo, 2008.
Publicado em meio ao crescimento acelerado da China, o livro questiona a ideia de que a ascensão chinesa necessariamente reproduziria o modelo ocidental de desenvolvimento e hegemonia. Arrighi sugere que Pequim poderia representar uma trajetória distinta de modernização e de reorganização do sistema internacional, recolocando no centro do debate temas como multipolaridade, desenvolvimento desigual e deslocamento do eixo da economia mundial para a Ásia. É fundamental para a tese de Pedro, ao discutir se a China propõe um novo tipo de desenvolvimento não-capitalista ou uma adaptação sistêmica.
- ARRIGHI, Giovanni; SILVER, Beverly J. Caos e governabilidade no moderno sistema mundial. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.
Os autores analisam as crises de governabilidade do sistema internacional e as tensões produzidas pelas transformações do capitalismo global ao longo do século XX. A obra articula mudanças econômicas, disputas geopolíticas e conflitos sociais para discutir como momentos de instabilidade e “caos sistêmico” costumam anteceder reorganizações da ordem mundial.
- FIORI, José Luís. O poder global e a nova geopolítica das nações. São Paulo: Boitempo, 2007.
Um dos principais intérpretes brasileiros da geopolítica contemporânea, Fiori discute a expansão do poder das grandes potências e a permanência da competição interestatal no capitalismo global. Em contraposição a leituras que enfatizam cooperação e globalização, o autor argumenta que a disputa por poder continua sendo elemento estruturante do sistema internacional. Suas reflexões sobre a “vontade de poder” dos Estados são chave para entender a política externa estadunidense como um processo de acumulação de força constante.
- FIORI, José Luís. Uma teoria do poder global. Petrópolis: Editora Vozes, 2024.
Na obra mais recente de sua trajetória intelectual, Fiori aprofunda sua interpretação sobre a formação histórica do sistema interestatal e a dinâmica expansiva do poder global. O livro dialoga com debates sobre hegemonia, imperialismo e rivalidade entre grandes potências, oferecendo ferramentas importantes para pensar as disputas estratégicas do século XXI.
- FUKUYAMA, Francis. O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.
Símbolo do otimismo liberal do pós-Guerra Fria, Fukuyama defendeu que a consolidação da democracia liberal e da economia de mercado representaria o ponto culminante da evolução política da humanidade, marcando o “fim da história”. Décadas depois, a obra permanece central justamente por provocar debates sobre os limites da ordem liberal internacional diante da ascensão da China, do retorno da competição geopolítica e das crises das democracias ocidentais.
- HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
Síntese magistral do “breve século XX”, o livro percorre os grandes acontecimentos entre 1914 e 1991 – das guerras mundiais ao colapso da União Soviética. Ao conectar transformações políticas, econômicas e sociais em escala global, Hobsbawm oferece uma base histórica indispensável para compreender a formação da ordem internacional contemporânea.
- KAGAN, Robert. The World America Made. New York: Knopf, 2012.
Representante de uma perspectiva liberal internacionalista e defensora da liderança americana, Kagan argumenta que a ordem liberal global depende diretamente do poder dos Estados Unidos. O livro funciona como contraponto importante às interpretações sobre declínio americano, ao sustentar que a retração dos EUA poderia abrir espaço para maior instabilidade internacional. É uma fonte importante para entender o pensamento neoconservador e a resistência de Washington ao declínio.
- KISSINGER, Henry. Sobre a China. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
Misturando memórias diplomáticas e interpretação histórica, Kissinger analisa a formação do pensamento estratégico chinês e a aproximação sino-americana durante a Guerra Fria. Ex-secretário de Estado dos EUA, ele utiliza sua experiência prática para explicar a estratégia de longo prazo de Pequim. A obra ajuda a compreender como elites políticas dos Estados Unidos passaram a interpretar a China simultaneamente como parceira estratégica, potência emergente e rival geopolítica.
- VELASCO E CRUZ, Sebastião C. Os Estados Unidos no desconcerto do mundo. São Paulo: Editora Unesp, 2010.
Obra de um dos maiores especialistas brasileiros em EUA. O autor examina as ambiguidades da política externa americana no pós-Guerra Fria e as dificuldades dos Estados Unidos em preservar sua capacidade de liderança diante das transformações do sistema internacional. O livro dialoga diretamente com debates sobre unilateralismo, crise da ordem liberal e rearranjos de poder global.
- WALLERSTEIN, Immanuel. O declínio do poder americano. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.
Partindo da teoria do sistema-mundo, Wallerstein foi um dos primeiros a diagnosticar o declínio estrutural da hegemonia dos EUA. Para o autor, o declínio americano não deve ser entendido como evento pontual, mas como parte das contradições históricas do próprio capitalismo global. Sua visão de longo prazo sobre as crises do sistema-mundo capitalista é um dos fundamentos teóricos para a análise da “luta pelo poder global”. ![]()
* Tatiana Teixeira é editora-chefe do Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), pesquisadora de Pós-Doutorado da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e U.S. State Department Alumna (SUSI 2025).
Filipe Mendonça é professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e fellow researcher na Academy of International Affairs NRW, em Bonn, Alemanha.
** Este conteúdo não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU.
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