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Opinião no WhatsApp sobre tensões e negociações entre Lula e Trump

Crédito: Tatiana Carlotti

Por Victor Farinelli [Informe OPEU] [Divulgação]

O Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU) realizou entre os dias 3 e 5 de dezembro mais uma edição dos seus encontros de final de ano. Inteiramente online, o primeiro dia do evento foi destinado à apresentação de estudos em curso pelos pesquisadores da rede.  

Em debate mediado pelo professor Samuel Alves Soares (GEDES/UNESP) e introdução de Adriano Codato (INCT-REDEM), os pesquisadores Carolina de Paula (IESP/UERJ) e Vittorio Dalicani Pizzeghello (PPGCP-UFPR) apresentaram as conclusões de um estudo elaborado a partir do Monitor do Debate Público, sobre a reação de grupos bolsonaristas e outros segmentos frente as relações entre Brasil e Estados Unidos, a partir de comentários analisados em grupos do WhatsApp.  

A pesquisa é do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ). Na sequência, a mesa contou com os comentários das professoras Esther Solano (Unifesp) e Bárbara Motta (UFS). 

Confira os principais pontos da apresentação. 

Monitor do Debate Público 

Carolina de Paula destacou que o projeto Monitor do Debate Público utilizou uma metodologia desenvolvida em 2022 – junto com o professor João Feres (IESP/UERJ), conhecida como Painel de Monitoramento de Tendências (PONTE) – visando o monitoramento da opinião pública 

A metodologia foi aplicada no estudo de grupos bolsonaristas – separando entre “bolsonaristas convictos” e “bolsonaristas moderados” – e, a partir de 2024, ampliando para outros perfis, não só de bolsonaristas. 

“Nós trabalhamos com grupos focais de forma contínua no WhatsApp, com participantes selecionados a partir de critérios específicos para cada tipo de painel”. Ela relatou que foi “um recrutamento bastante sólido”, com base em um questionário específico para cada participante, com pessoas de todo país, que permitiu observar como cada indivíduo votou, sua renda, questões relacionadas à opinião e hábitos de consumo de mídia. 

O monitoramento consegue, atualmente, aplicar um critério regional, com observações de perfis de todas as regiões, e produzir relatórios semanais. O recrutamento separou os perfis em cinco grupos, de acordo com critérios sobre suas tendências políticas e ideológicas. 

O primeiro grupo (G1) é o dos bolsonaristas convictos, que votaram em Jair Bolsonaro na eleição de 2022 e aprovam as invasões do 8 de janeiro. O segundo (G2) é de pessoas que votaram em Bolsonaro, mas que desaprovam o 8 de janeiro. O terceiro (G3), dos chamados “flutuantes”, não votaram em Lula nem em Bolsonaro no primeiro turno, e no segundo anularam ou votaram em branco. O quarto (G4) é o de pessoas que votaram em Lula no segundo turno, mas estão descontentes com os resultados do seu atual governo. O quinto (G5) é o de pessoas que votaram em Lula e aprovam seu terceiro mandato. 

Análise de três períodos 

Em seguida, o professor Vittorio Dalicani Pizzeghello explicou que o banco de dados, com todas as interações dos grupos vocais, foi filtrado a partir de duas categorias: os temas das perguntas e os participantes. Foram selecionadas apenas discussões nas quais o tema central da pergunta se relacionava a algum tipo de relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. 

Pizzeghello observa que o G1 e o G2, de eleitores de Bolsonaro, são os grupos que mais mandam mensagens. No corte da idade, quem mais interage são as pessoas entre 25 e 32, e as de entre 49 e 64 anos. No aspecto de gênero, as mulheres mandam mais mensagens que os homens, apesar de estarem em maior número na amostra – situação que difere no corte por religião, onde os evangélicos mandam mais mensagens mesmo estando em menor número. Em termos regionais, pessoas do Sudeste participam mais, e logo Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. 

Na análise dos diferentes momentos, os acadêmicos ressaltam que, em todos os períodos, o G1 interage muito mais que todos os outros grupos, especialmente no período 3 (após a aplicação de tarifas por parte dos Estados Unidos). Também é possível ver que, em todos os períodos os grupos mais ideologicamente alinhados de bolsonaristas e de lulista, interagem mais que os bolsonaristas e lulistas moderados e do que os flutuantes. 

Período 1 – eleição dos Estados Unidos em 2024 

Ao analisar os conteúdos, no período 1, os bolsonaristas convictos (G1) focaram suas mensagens no espelhamento das realidades do Brasil e dos Estados Unidos, defendendo a narrativa de que Jair Bolsonaro e Donald Trump seriam “perseguidos pelo sistema”, e o atentado a Trump naquela campanha foi visto como similar à facada recebida por Bolsonaro em 2018. Já o G2, segundo Pizzeghello, “têm menor adesão a narrativas conspiratórias, consideram que o atentado é resultado da polarização, havendo espaços menores para as conspirações, e antecipam que a vitória de Trump tende a piorar as relações do Brasil com os Estados Unidos”. 

No caso do G3, os flutuantes, “há uma forte rejeição a Trump em algumas partes, enquanto outras veem ele como a opção ‘menos pior’ em relação ao Biden. O atentado é condenado como ‘violência política’ e conspirações são discutidas em um tom crítico”, relata o pesquisador. 

“O G4, dos eleitores de Lula descontentes, tem expectativa pessimista com relação à vitória de Trump. O atentado é visto como episódio de ódio político, sem adesão a narrativas conspiratórias, e há o temor de que uma eventual vitória de Trump seja negativa para as relações entre Brasil e Estados Unidos e até para a economia dos dois países”, acrescenta. 

Período 2 – primeiro semestre de 2025 

Ao falar do período 2, Pizzeghello lembra que este corte já conta com análise sobre os lulistas convictos (G5). “No G1, Trump aparece como um líder firme da direita que protege o seu país. O Eduardo Bolsonaro é visto como uma ponte com os Estados Unidos e vítima dessa ‘ditadura da esquerda’ e do Alexandre Moraes. Eles têm a ideia de que o Trump pode salvar o Brasil da esquerda e do Lula”, relata o professor. 

Em seguida, ao ponderar sobre o G2, o professor destaca que eles “falam dos Estados Unidos como uma potência hegemônica que protege bem seus cidadãos, mas é hostil com estrangeiros”.  

“A política migratória do Trump divide opiniões. Alguns acham que ela é correta. Outros têm ressalvas quanto a aspectos da humanidade. Alguns veem a ida do Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos como estratégica, outros como fuga das responsabilidades no Brasil, visto que ele estava com o mandato ativo”, acrescenta. 

A pesquisa mostra que, no G3, a volta de Trump poder é vista como “um sinal de risco, tanto para os Estados Unidos quanto para a política mundial. Há avaliações negativas sobre Trump, mas reconhecem a eficiência do governo. Criticam Eduardo Bolsonaro por focar em anistia e pautas próprias. Há uma rejeição às elites e a política migratória é vista como desumana, mas que os imigrantes devem arcar com os riscos”, observa o pesquisador. 

O G4 aborda o segundo período “criticando Trump, chamando-o de lunático, autoritário, nacionalista e agressivo e criticando também a guinada extremista dos Estados Unidos que aprofunda esses preconceitos segundo eles”, além de retratar Eduardo Bolsonaro como um “covarde”. Já o G5 enxerga a atual administração estadunidense como alguém que “reativou a imagem historicamente negativa dos Estados Unidos”. 

“Nesse grupo (G5), Trump é visto como belicoso, egoísta e potencial ameaça à economia global, mas, ainda assim, tem algumas menções positivas pontuais aos Estados Unidos, como o país das oportunidades. A crítica dos convictos é mais ao Trump em si do que ao modelo de sociedade estadunidense. Por outro lado, o Eduardo Bolsonaro é tido como fujão para escapar de punições aqui no Brasil. E as políticas migratórias são criticadas como violentas, segundo eles”, avalia o pesquisador. 

Período 3 – Relações entre Brasil e Estados Unidos 

Ao analisar as reações ao período 3, Pizzeghello começa falando do G1, que “atribui as tarifas quase totalmente ao Lula e Alexandre Moraes, e à ‘ditadura do STF’”. 

“Por outro lado, a Lei Magnitsky e a revogação dos vistos são vistas como punições justas a Alexandre Moraes, compensando a perseguição a Bolsonaro. O tarifaço é visto como pesado, mas muitos o naturalizam, como o preço a se pagar para enfraquecer o Governo Lula e libertar a direita dessa ditadura da esquerda”, acrescenta o pesquisador. 

Ele destaca que esse grupo tem leves discordâncias sobre Trump a partir do tarifaço: “algumas pessoas apresentam pequenas ressalvas sobre o comportamento exagerado de Trump e efeitos econômicos das tarifas, outras acabam defendendo Trump cegamente”. 

Sobre o G2, “eles atribuem as sanções e os conflitos às falas e atitudes de Lula, e mencionam muito menos o Alexandre Moraes. A Lei Magnitsky é vista como coerente, pensando nas questões de liberdade de expressão e contenção dos abusos do STF. A família Bolsonaro é valorizada, embora haja um incômodo com a permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior. Assim como o G1, eles pintam Trump como um estrategista nato que está enganando o Lula”, comenta. 

Já no G3, segundo os dados do monitor, “há um consenso de que as tarifas são pesadas e prejudiciais ao Brasil, e uma divergência sobre se seria uma guerra política aceitável. Parte apoia Lula na defesa da soberania e critica a intervenção, outra acha que as sanções a Moraes são um recado contra excessos e abusos. Há um grupo que mescla as duas percepções. Eduardo Bolsonaro é visto como um covarde que busca refúgio. Esse grupo rechaça que ele receba salário para atuar como deputado em outro país”, conta.  

Pizzeghello também pondera que “os eleitores com posições flutuantes poderiam até ser classificados melhor como eleitores apáticos, que não gostam da política, odeiam as elites e acham que são ‘tudo farinha do mesmo saco’, alguns participantes inclusive utilizaram essa expressão mais de uma vez para tratar desses pontos”. 

Sobre o G4, “uma análise geral identificou que eles acreditam que as tarifas e sanções são vistas como uma interferência absurda e politizada. A revogação dos vistos também é percebida como uma extrapolação autoritária e a família Bolsonaro é acusada de vitimismo, e de usar conexões internacionais para escapar das punições. Mesmo insatisfeitos, eles valorizam o posicionamento firme de Lula em defesa da soberania nacional e a habilidade negociadora do Lula no cenário internacional”. 

No caso do G5, os participantes “veem o conflito como uma tentativa de pressionar Lula por motivações políticas. A atuação de Lula é narrada como resposta bem-sucedida, mesmo sem entregar resultados. Eles acham a Lei Magnitsky é uma medida ineficaz, há um orgulho muito explícito do desempenho internacional do Lula, enquanto a família Bolsonaro e aliados são responsabilizados pela instabilidade”, descreve Pizzeghello. 

Conclusões 

Os pesquisadores enfatizam que “o G1 lê o eixo bilateral como campo no qual os Estados Unidos e Trump aparecem como aliados e salvadores do Brasil do que como uma potência estrangeira com interesses próprios”, enquanto “o G2 possui posições mais pragmáticas, mantendo alinhamento à direita, com maior sensibilidade a custos econômicos”. 

“O G3 entende os assuntos de modo fragmentado e ambivalente, e aparecem com clareza as disputas e enquadramentos sobre o que significa cada conceito. Contudo, eles encontram certa coesão na parte da rejeição às elites”, comenta o professor. 

Sobre o G4, ele observa que “o grupo combina uma visão crítica ao Governo Lula em matérias mais nacionais, com uma defesa clara do Brasil na política internacional, constituindo um polo importante de crítica à ingerência dos Estados Unidos e ao bolsonarismo. Se colocam como críticos do Lula e até duvidam da sua capacidade de entregar um projeto de país melhor, porém, sobre as relações com os Estados Unidos e outras relações internacionais, apoiam totalmente o governo”. 

Para finalizar, sobre o G5, descrito como “o polo mais claramente alinhado à narrativa do governo”, ele aponta que seus participantes “reforçam a visão de que o Brasil sob Lula recupera de dignidade na cena internacional e consideram que o Brasil está resistindo às pressões do Trump e da direita global, ao se impor politicamente”. 

Projeção do trabalho para 2026 

Após a apresentação de Pizzeghello e De Paula, a professora Esther Solano, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destacou que a metodologia usada no trabalho conseguiu algo raro: “a questão da temporalidade”. 

“Vocês têm uma resposta muito rápida a um tema e, ao mesmo tempo, colocam isso no grupo de forma relativamente rápida, obtêm uma resposta relativamente ordenada, em um processo de temporalidade de longo prazo. Isso não é trivial”, comenta. 

Em seguida, Solano destaca a ideia de pensar em paralelo diversos grupos. “Parece que, além de ser metodologicamente consistente, essa divisão que vocês fizeram é imprescindível, porque não dá para colocar todo mundo na mesma definição. Mas a gente consegue ver isso em simultâneo, ver os mesmos temas narrados por diversos grupos, ver as diferentes respostas, isso é realmente muito rico”, comentou a professora. 

Outro ponto importante da apresentação de Pizzeghello e De Paula, segundo a acadêmica da Unifesp, foi a parceria entre os INCTs e o fato de “ela unir duas questões fundamentais, como a questão democrática e a questão da relação com os Estados Unidos, levando em consideração que o país vai entrar num período, um ano eleitoral no qual essas duas questões estarão no momento auge”. 

Sobre as perguntas deixadas aos pesquisadores durante seu comentário, Solano mencionou a questão sobre o papel do moderador no trabalho realizado pelos pesquisadores, e também quais são os limites da metodologia utilizada. Outra dúvida foi sobre como será usado o Monitor do Debate Público no ano eleitoral de 2026, “considerando que vocês não são sujeitos apáticos do ponto de vista político, todos nós, como academia, vamos entrar num momento muito complexo do ponto de vista político e eleitoral”. 

Solano também pondera sobre “como vai se desenvolver todo esse processo muito intenso, que vai ser a relação dos Estados Unidos com a Venezuela, por exemplo, e como essa preponderância do tema venezuelano vai nos impactar, não só do ponto de vista ideológico, de toda essa propaganda altamente teatralizada, mas como, literalmente, esse processo, talvez de um conflito mais concreto na Venezuela, vai nos impactar”. 

Em sua conclusão, a professora relata que teve a oportunidade de analisar os grupos focais sobre esse tema da relação dos Estados Unidos no Governo Trump, a relação com Lula, e observou que “havia um ponto que me pareceu muito interessante, que conecta com a esfera do México, toda essa questão do tarifaço aparecia para mim num grupo que eu pesquiso muito, que são esses lulistas críticos, como vocês também tinham colocado, e um elemento muito interessante era o apagamento da figura do Lula”. 

“Aparecia muito a ideia do ‘eu votei no Lula’, ou ‘votaria de novo’, mas também que ‘o Lula parece estar apagado’, ou que parecia ‘sem brilho’”, analisou a professora, sobre um momento prévio ao tarifaço, para completar dizendo que “quando chega ao tarifaço, o Lula se reposiciona, e aparece um outro conceito, que é a ideia da coragem, do ‘gostei do Lula neste momento’, por essa lógica de se recolocar com coragem frente ao Trump”. 

Perspectiva dos Estados Unidos 

A segunda intervenção foi da professora Bárbara Motta, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que citou a pesquisa de Pizzeghello e De Paula, mas enfocou sua apresentação nas perspectivas dos Estados Unidos a partir da tarifação contra o Brasil. 

Segundo ela, “o campo conservador tem repensado as relações econômicas do país com o mundo. Acho que um dos elementos que me auxilia a compreender as tarifações ao Brasil é uma imagem que vem sendo veiculada pelos Estados Unidos de que a ordem liberal internacional não é mais, e talvez ela nunca tenha sido, benéfica para os Estados Unidos”. 

Essa imagem está organizada em torno da ideia de que “as instituições atuam para conter de modo artificial a soberania dos Estados e produzir, também de modo artificial, uma certa homogeneização das sociedades, principalmente do ponto de vista dos direitos humanos, e, portanto, em questões de igualdade de raça, gênero, entre outros elementos que, no Brasil, a gente costuma chamar de ‘pauta de costumes’”, analisa Motta. 

Outro ponto citado pela professora da UFS é que o público norte-americano mais conservador considera que “essa ordem liberal permitiu principalmente o crescimento da China, e não só isso, permitiu o crescimento da China às custas dos Estados Unidos”. 

“Há uma visão de que essas discrepâncias prejudicaram os Estados Unidos e de que elas precisam ser corrigidas. Esse é o imaginário político sobre o doméstico e sobre o mundo com o qual a extrema-direita norte-americana vem construindo um projeto político orientado para o presente e para o futuro, não só de reorganização interna do país, mas também de reorganização do sistema internacional”, avaliou. 

Sobre a adoção de uma nova política tarifária por parte dos Estados Unidos, ela recordou que “a defesa contundente da tarifação vem do economista Peter Navarro, uma das figuras que contribuiu para a escrita do Projeto 2025 e que foi nomeada por Trump como conselheiro sênior para a questão de comércio”. 

“Navarro defende que as tarifas podem funcionar como fonte de receita, vinculadas à proteção dos trabalhadores, proteção da economia doméstica, criação de empregos, cortes de impostos, e que também são uma forma de restabelecer uma lógica de ‘justiça’ nas relações comerciais, que seriam a resposta aos desequilíbrios do comércio, com barreiras tarifárias ou não tarifárias”, acrescentou Motta. 

Rachaduras 

Entretanto, a professora expõe algumas “rachaduras” no discurso da extrema direita dos Estados Unidos, também a partir da figura de Navarro: “além de ser o único colaborador do projeto 2025 disposto a defender as tarifas, seu argumento é muito mais contra a China do que a defesa de uma política de taxação a um conjunto mais amplo de países”. 

Ela enumerou três justificativas usadas pelo discurso trumpista para sustentar a narrativa sobre as tarifas ao Brasil: “primeiro, a justificativa de que as ações do Brasil representariam uma ameaça para a economia dos Estados Unidos. Segundo, de que iriam de encontro a políticas para promover a liberdade de expressão, e se menciona a questão das Big Techs. Terceiro, seriam contrárias a processos de eleições livres e violariam direitos humanos, mencionando principalmente uma suposta perseguição a (Jair) Bolsonaro”. 

“Eu vi um ponto de divergência entre o que se enfatizou no Brasil e aquilo que se enfatizou nos Estados Unidos. A mídia convencional brasileira colocou a relação Trump-Bolsonaro como elemento menos importante enquanto ímpeto para a taxação. Ao fazer uma leitura de que o objetivo prioritário era majoritariamente transacional, para pressionar o Brasil, isso contribuiu para que os eleitores flutuantes tenham percebido que a redução de tarifas não foi necessariamente um feito do governo brasileiro, ou do presidente Lula”, considerou Motta. 

A professora aponta que, na mídia convencional dos Estados Unidos, em veículos como Washington Post e New York Times, “a ênfase foi justamente na relação entre Trump e Bolsonaro e o entendimento de que as tarifas tinham menos a ver com a economia e mais com a tentativa de salvar um aliado de extrema direita foram amplamente divulgados”. 

“Parece que isso permitiu uma série de desdobramentos no cenário político norte-americano. Ao dizer que a taxação tem um fundo ideológico e não tanto econômico, criou-se elementos para questionar essas tarifas, e abriu-se um espaço para deslegitimar a própria imagem do Trump, apresentando-o como alguém que está menos interessado na população e mais interessado em si mesmo e nas suas alianças políticas”, completou Motta. 

Ao finalizar sua exposição, a acadêmica citou o exemplo de uma votação recente no Senado norte-americano, em outubro, sobre um projeto para anular a ordem executiva que sustentava as tarifas contra o Brasil, e que teve votação apertada, mas foi aprovada por 52 votos (contra 48), e contou com apoio bipartidário. “Me parece ilustrativo, porque vimos republicanos se opondo a Trump, mas também pelas declarações deles de que o processo judicial (contra Bolsonaro) não seria suficiente para impor as tarifas”. 

 

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