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Trump lança Plano Estratégico para ganhar a corrida pelo domínio da Inteligência Artificial

Captura de tela do evento em que Trump divulga seu “America’s AI Action Plan”, em 23 jul. 2025 (Fonte: All In Podcast)

Por Lauro Accioly Filho* [Documentos] [Inteligência Artificial] 

AI Action Plan: Trump's tech supremacy strategy decodedA Casa Branca lançou, em julho, um plano estratégico para alcançar a liderança global em Inteligência Artificial (IA). O plano foi elaborado no âmbito da Ordem Executiva 14179, intitulada “Removing Barriers to American Leadership in Artificial Intelligence”, assinada pelo presidente Donald Trump, em janeiro de 2025. O documento enquadra Inteligência Artificial como fundamental para a competitividade econômica dos Estados Unidos, a segurança nacional e o avanço científico, enfatizando a necessidade de domínio tecnológico global por parte do país.  

O plano apresenta a Inteligência Artificial (IA) como essencial para a competitividade econômica dos Estados Unidos, sua segurança nacional e o avanço científico, enfatizando a necessidade de “manter a dominância tecnológica global americana”. A IA é identificada como propulsora de uma nova revolução industrial, uma revolução da informação e um renascimento nos domínios intelectual e criativo. 

O documento destaca a importância estratégica dos modelos de Inteligência Artificial de código aberto para fomentar a inovação, impulsionar a pesquisa e manter a liderança dos EUA na área. Ressalta-se que as startups adotem o modelo de código aberto sem depender de provedores de modelos fechados, facilitando a adoção da IA por parte de empresas e agências governamentais que lidam com dados sensíveis, e apoia-se pesquisas acadêmicas rigorosas que exigem acesso aos dados de treinamento. 

Contudo, não há consenso entre as corporações da indústria tech dos Estados Unidos sobre o modelo open source ser desejável (ou não). Um debate em voga é sobre um modelo semi-aberto. Isso torna as discussões acaloradas, pois não existia essa modalidade até a Meta desenvolver um modelo “Llama 2”. Embora divulgado como sendo de código aberto, ele tem licenças que limitam os desenvolvedores a fazerem modificações do modelo. 

O plano “delineia ações para cultivar um ambiente favorável ao desenvolvimento aberto”, ao mesmo tempo em que afirma que a decisão de liberar modelos de forma aberta permanece a cargo dos desenvolvedores. Entre as iniciativas-chave, estão a ampliação do acesso a recursos computacionais de grande escala para startups e pesquisadores; parcerias com empresas de tecnologia para expandir o acesso a dados e infraestrutura computacional do setor privado; e o fortalecimento do Recurso Nacional de Pesquisa em IA (National AI Research Resource) para apoiar o uso acadêmico e público da IA. 

Também propõe o engajamento com diferentes setores para incentivar o uso de modelos abertos por pequenas e médias empresas, assim como declara um compromisso de atualizar o Plano Estratégico Nacional de P&D em IA para orientar os investimentos federais em um “desenvolvimento aberto e transparente da tecnologia”. 

O plano também sublinha o papel fundamental da infraestrutura energética e dos data centers para sustentar as ambições dos EUA de liderar globalmente no campo da Inteligência Artificial. Identifica-se a necessidade de uma ampla expansão da geração de energia e da modernização da rede elétrica nacional, diante da estagnação da capacidade energética dos EUA, em contraste com o avanço de seus concorrentes globais. O plano pede a construção acelerada de data centers, fábricas de semicondutores e infraestrutura energética associada, apoiada por processos de licenciamento mais ágeis e a remoção de barreiras regulatórias previstas em leis ambientais federais. 

Além disso, enfatiza-se a importância de garantir que essa infraestrutura seja protegida contra adversários estrangeiros, por meio da construção de uma indústria computacional doméstica baseada em produtos e tecnologias americanas livres de influências hostis”. Também são delineadas estratégias para estabilizar e otimizar a atual rede elétrica, promovendo fontes de energia avançadas, como tecnologias geotérmicas aprimoradas e nucleares, para sustentar as indústrias do futuro movidas por IA. 

O plano prioriza ainda o deserves de data centers de alta segurança para uso militar e da comunidade de Inteligência, garantindo resiliência contra ameaças estatais, assim como ambientes seguros para o processamento de dados sensíveis com sistemas avançados de IA. Por meio dessas medidas, a infraestrutura energética e os data centers seguros são posicionados como alicerces para manter a competitividade e a segurança dos EUA na era da Inteligência Artificial. 

Estrutura do Plano 

O documento está organizado em torno de três pilares centrais: aceleração da inovação, construção de infraestrutura e avanço da diplomacia e segurança internacionais. 

O primeiro pilar se concentra no estímulo do rápido desenvolvimento da IA por meio da remoção de barreiras regulatórias, da promoção da inovação liderada pelo setor privado, do apoio a modelos de código e pesos abertos, e da ampliação da adoção da IA em setores como saúde, defesa e manufatura. 

O segundo pilar enfatiza a necessidade de expansão maciça da infraestrutura, incluindo a modernização da rede elétrica nacional, a construção de data centers e fábricas de semicondutores, e a garantia de um suprimento energético seguro e confiável para atender à demanda computacional dos sistemas de IA. 

‘Winning the Race’: Trump apresenta o plano estratégico de IA (Fonte: All In Podcast)

O terceiro pilar trata do engajamento internacional, buscando promover a exportação de tecnologias e “padrões americanos de IA” para países aliados, ao mesmo tempo em que “combate a influência de adversários” na governança global da IA. O rival enfaticamente mencionado é a China, que vem sendo enquadrado como ameaça aos Estados Unidos desde o lançamento do Project 2025 da Heritage Foundation, documento que vem guiando as estratégias da administração Trump 2.0. 

Também se destaca a importância de “proteger as capacidades avançadas de IA por meio de controles de exportação, da proteção à propriedade intelectual e da avaliação de riscos emergentes à segurança nacional associados a modelos de IA de fronteira”.  

Juntos, ressalta o documento, esses pilares compõem uma estratégia abrangente para “posicionar os Estados Unidos como líder global na era da Inteligência Artificial, priorizando a competitividade econômica, a segurança nacional e a inovação tecnológica”. 

Implementação 

O plano atribui responsabilidades a órgãos-chave do governo, com políticas federais coordenadas entre agências como o Escritório de Política Científica e Tecnológica (OSTP), os Departamentos de Comércio, Defesa e Energia, e a Fundação Nacional de Ciência (NSF), entre outros. Esses órgãos devem garantir alinhamento entre os esforços voltados para pesquisa, infraestrutura, segurança e desenvolvimento da força de trabalho. 

A estratégia de implementação também inclui reformas regulatórias para remover barreiras à inovação em IA e à expansão da infraestrutura, o desenvolvimento de ambientes computacionais seguros para cargas sensíveis de IA, e programas para monitorar e avaliar as implicações de segurança nacional dos sistemas de IA de fronteira. 

Além disso, o plano prevê mecanismos contínuos de avaliação, incluindo o uso de análises específicas relacionadas à segurança nacional, ambientes regulatórios experimentais (regulatory sandboxes) para testes, e conselhos interagências para supervisionar o progresso e adaptar as ações aos avanços tecnológicos. 

Ao integrar essas medidas, o Plano de Ação “busca transformar seus pilares — inovação, infraestrutura e segurança internacional — em passos concretos que fortaleçam a posição competitiva dos EUA na IA, assegurando, ao mesmo tempo, um desenvolvimento responsável e seguro”. Todavia, as ações de flexibilizar regulações em áreas tecnológicas vêm provocando debates vorazes sobre até que ponto as ações da administração Trump 2.0 estão interessadas nessas pautas de um desenvolvimento responsável e seguro da IA.  

 

* Lauro Accioly Filho é doutorando no Programa de Pós-Graduação Interinstitucional em Relações Internacionais – San Tiago Dantas e pesquisador colaborador no Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (GEDES) e no Observatório Político dos Estados Unidos/Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (OPEU/INCT-INEU). 

** Revisão e edição final: Tatiana Teixeira. Este conteúdo não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU. 

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