Cruz vence em Iowa mesmo sendo contra o incentivo ao etanol
A vitória do pré-candidato Ted Cruz no caucus republicano, no dia 2, rompe com certa tradição de Iowa em relação à política de etanol. Com margem de cerca de 4%, Cruz deixou para traz o polêmico Donald Trump, que até então liderava as pesquisas de intenção de voto no estado. Outra surpresa é o fato de Cruz ser contra o incentivo à produção de etanol de milho. Iowa tem 41 usinas de etanol, que são responsáveis pela produção de 25% do biocombustível nos EUA. Quase metade do milho no estado é destinada à produção do etanol. O papel do governo federal tem sido fundamental para garantir mercado aos produtores. Devido a regras da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), as refinarias são obrigadas a misturar até 15% de etanol à gasolina. Cruz, que defende a baixa intervenção do Estado na economia, disse que as normas precisavam ser extintas. Nos meses que antecederam o caucus, Trump questionou essa posição, esperando colocar os eleitores do estado contra o concorrente. Temendo que a estratégia do rival surtisse efeito, Cruz chegou a minimizar sua opinião, dizendo que o problema era o limite de mistura da EPA. Passou a dizer que as regras deveriam ser suspensas para que o percentual de etanol misturado também pudesse subir com a demanda. O resultado da votação parece indicar que o eleitorado já não tem como prioridade proteger o etanol. Alguns analistas acreditam que a percepção geral é que a indústria do biocombustível esteja madura para dispensar o incentivo. Outros apontam que Trump perdeu por não conseguir conquistar os votos da direita cristã, o que também corrobora a percepção de que o etanol deixou de ser a questão mais sensível.