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Radar OPEU, n. 19: os episódios do ‘Chutando a Escada’ para você assistir 

Mosaico feito com Montagem de fotos

Por OPEU e Chutando a Escada, com seleção de Tatiana Teixeira* [Divulgação] [Chutando a Escada] [Radar OPEU] 

Confira abaixo o que rolou no podcast Chutando a Escada neste primeiro semestre de 2026.  

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Episódio #399 – Olhares ianques: A ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos, 4 jun. 2026 

Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), Tatiana Teixeira (OPEU) e Hannah De Gregorio Leão (OPEU) recebem o historiador Felipe Pereira Loureiro (IRI/USP) para discutir seu livro recém-lançado Olhares ianques: a ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos. Resultado de mais de uma década de pesquisa em documentação diplomática confidencial norte-americana, o livro reconstrói os bastidores da relação entre o governo dos Estados Unidos e o regime militar brasileiro, revelando o grau de intimidade entre diplomatas americanos e militares, empresários, jornalistas e lideranças políticas brasileiras ao longo dos vinte e um anos de ditadura. 

No segundo bloco, a pesquisadora Yasmim Abril Monteiro Reis (OPEU, PPGRI San Tiago Dantas) apresenta o clipping de política externa dos Estados Unidos: a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelo governo Trump e a indicação do cubano-americano Daniel Pérez como novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. 

Citado no episódio:  

LOUREIRO, Felipe Pereira. Olhares ianques: a ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos. São Paulo: Companhia das Letras, 2026. 

 

Episódio #398 – Bolsonarismo sem Bolsonaro nas eleições 2026, 28 maio 2026 

O que resta do bolsonarismo quando o próprio Bolsonaro está preso e inelegível? Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-DireitaDavid Magalhães e Guilherme Casarões recebem Cláudio Gonçalves Couto (FGV-SP/OED), um dos principais especialistas em política brasileira, para discutir o bolsonarismo como governo-movimento, a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o escândalo do Banco Master e o papel que os Estados Unidos de Trump desempenham na equação eleitoral de 2026. 

No boletim de notícias, David Magalhães analisa três episódios recentes que revelam as contradições internas da Rassemblement National: a fratura programática entre Marine Le Pen e Jordan Bardella sobre política econômica, a proposta de Le Pen de retirar a França do comando integrado da OTAN e a mais recente ofensiva do partido contra Kylian Mbappé — três janelas para compreender os limites da direita radical francesa às vésperas de 2027. Para encerrar, a dica cultural traz o livro Diálogos em Tempos Difíceis: Decifrando a Gramática da Nova Extrema-Direita, de Michel Gherman e Ronilso Pacheco (Editora Fósforo). 

Citados no episódio:  

CAULCUTT, Clea. French far right misses big targets but says it is on track for presidency. POLITICO, 26 maio 2026.
FIESCHI, Catherine. “The French Far-right’s Foreign Policy: Big Ambitions, Uncertain Directions”. InThe Populist Turn in Middle Power Diplomacy. Washington: Carnegie Endowment for International Peace, maio 2026.
GHERMAN, Michel; PACHECO, Ronilso. Diálogos em Tempos Difíceis: decifrando a gramática da nova extrema-direita. São Paulo: Fósforo, 2026.
MUDDE, Cas. Distinção conceitual entre direita radical e extrema-direita.
PIRRO, Andrea. Sobre o conceito de far right como categoria guarda-chuva. Universidade de Bolonha. 

 

Episódio #397 – 81 anos depois: Rússia, Brasil e a memória da Segunda Guerra, 14 maio 2026 

O que sobrou, 81 anos depois, da Grande Guerra Patriótica para a Rússia, do desembarque da Força Expedicionária Brasileira em Monte Castelo para o Brasil e do legado de Yalta para a ordem internacional contemporânea? Neste episódio em parceria com o Observatório Rússia e América LatinaDaniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Mariana da Gama Janot (INCT-Ineu) e Valdir da Silva Bezerra (@o_russianista), mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo e organizador, com Boris Zabolotsky, do livro 80 Anos da Vitória na Grande Guerra Patriótica (Blucher, 2025). A conversa atravessa a contribuição massiva (e hoje contestada) da União Soviética para a derrota do nazifascismo, a entrada do Brasil no conflito a partir das contradições do Estado Novo e o modo como a memória da guerra foi mobilizada, na era Putin, para preencher o vácuo de identidade aberto pelo colapso soviético. 

No bloco de notícias, Giovana Dias Branco e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento, pesquisadores do Ruslat, repercutem o mês de abril: a reaproximação Rússia-Cuba em meio à crise energética da ilha, a suspensão temporária das exportações de fertilizantes russos e seu impacto sobre o agronegócio brasileiro, o relatório sobre o treinamento de mais de mil criadores de conteúdo latino-americanos com participação da RT em espanhol, e a Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0), projeto bipartidário que tenta requalificar o Grupo Wagner e seus sucessores como organizações terroristas no contexto da intervenção dos EUA na Venezuela. No último bloco, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com Boris Zabolotsky (Unifacs) sobre a insegurança ontológica da Rússia no pós-Guerra Fria e indica três filmes incontornáveis para pensar a guerra sem glorificá-la. 

Citados no episódio: 

BEZERRA, Valdir da Silva; ZABOLOTSKY, Boris (orgs.). 80 anos da vitória na Grande Guerra Patriótica: memória, reconstrução e perspectivas. São Paulo: Blucher, 2025.
FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). 2003. Tese (Doutorado em História Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
VAÏSSE, Maurice. As relações internacionais desde 1945. Lisboa: Edições 70.
ESTADOS UNIDOS. Congresso. Câmara dos Representantes. Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0). Projeto de lei bipartidário, 2026. 
LIMOV, Elem (dir.). Vá e veja [Idi i smotri]. URSS: Mosfilm; Belarusfilm, 1985. 142 min.
ROMM, Mikhail (dir.). O fascismo cotidiano [Obyknovennyy fashizm]. URSS: Mosfilm, 1965. 130 min. Documentário.
BALAGOV, Kantemir (dir.). Uma mulher alta [Dylda]. Rússia: Non-Stop Production, 2019. 137 min.
ASSAYAS, Olivier (dir.). O mago do Kremlin [The Wizard of the Kremlin]. França/Reino Unido, 2025. Mencionado em entrevista. 

 

Episódio #396 – EUA x China: A luta pelo poder global, 8 maio 2026 

Para entender a disputa entre Estados Unidos e China é preciso recuar até 1776. Essa é a tese de Pedro Costa Jr., editor de Geopolítica e Relações Internacionais do jornal GGN, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e autor do recém-lançado Estados Unidos versus China, a luta pelo poder global, publicado pela Editora Escuta. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos, Tatiana Teixeira, editora-chefe do OPEU, e Yasmin Reis, pesquisadora do OPEU e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa Interinstitucional Santiago Dantas, recebem Pedro para uma conversa que articula teoria do poder global, história de longa duração e conjuntura contemporânea. 

A entrevista atravessa o encontro secreto entre Henry Kissinger e Zhou Enlai em 1971, a histórica visita de Nixon a Mao Tse Tung em 1972, o trauma do Vietnã, a reforma e abertura conduzida por Deng Xiaoping, a entrada da China na Organização Mundial do Comércio em 2001, o pivô fracassado de Barack Obama para a Ásia e o consenso bipartidário em Washington em torno da contenção global da China. Pedro discute por que Washington despertou tarde demais para o que Giovanni Arrighi chamou de transferência da fábrica e do cofre do mundo do Atlântico para o Pacífico e o que a aliança sem limites entre China e Rússia, firmada 20 dias antes da invasão da Ucrânia, sinaliza sobre o fim da velha ordem mundial liberal. 

Citados no episódio:  

ANDERSON, Perry. “Balanço do neoliberalismo”. In: SADER, Emir; GENTILI, Pablo (orgs.). Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.
ARRIGHI, Giovanni. O longo século XX: dinheiro, poder e as origens do nosso tempo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.
ARRIGHI, Giovanni. Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI. São Paulo: Boitempo, 2008.
ARRIGHI, Giovanni; SILVER, Beverly J. Caos e governabilidade no moderno sistema mundial. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.
COSTA JR., Pedro. Estados Unidos versus China: a luta pelo poder global. São Paulo: Editora Escuta, 2025.
FUKUYAMA, Francis. O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
KAGAN, Robert. The World America MadeNew York: Knopf, 2012.
KISSINGER, Henry. Sobre a China. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
VELASCO E CRUZ, Sebastião C. Os Estados Unidos no desconcerto do mundo. São Paulo: Editora Unesp, 2010.
WALLERSTEIN, Immanuel. O declínio do poder americano. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004. 

 

Episódio #395 – A vitória de Péter Magyar na Hungria, 30 abr. 2026 

Em abril de 2026, depois de 16 anos no poder, Viktor Orbán foi derrotado nas urnas húngaras pelo deputado Péter Magyar e seu partido Tisza. Para Aline Burni, Research Fellow no ODI Global (Bruxelas) e pesquisadora do Observatório da Extrema Direita, o resultado é histórico. Mas o desafio de desmontar a “democracia iliberal” construída ao longo de quatro mandatos consecutivos é incomparavelmente mais complexo do que vencer uma eleição. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães (UFU; OED) e Guilherme Casarões (FIU) recebem Aline para discutir o legado de Orbán como “vitrine” e laboratório da direita radical, a coalizão negativa que viabilizou a vitória de Magyar e os impactos da queda do principal aliado de Moscou na União Europeia sobre a guerra na Ucrânia, as redes transnacionais reacionárias e a articulação geopolítica entre Trump, Bruxelas e Pequim. 

No segundo bloco, em substituição ao tradicional boletim de notícias, David traça um perfil de Peter Thiel após sua visita a Javier Milei na Casa Rosada, recorrendo a Quinn Slobodian (Crack-Up Capitalism) para situar o cofundador da Palantir na constelação de figuras (Patri Friedman, Curtis Yarvin, Hans-Hermann Hoppe) que pavimentam um projeto de “fuga da democracia” pela via da fragmentação jurisdicional. O episódio fecha com uma dica cultural crítica sobre “Por Dentro da Machosfera”, documentário recém-lançado na Netflix, por Louis Theroux.  

Citados no episódio: 

HOPPE, Hans-Hermann. Democracia: O Deus que Falhou — A economia e a política da monarquia, da democracia e da ordem natural. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2014.
POR DENTRO da Machosfera. Direção: Louis Theroux. Estados Unidos/Reino Unido: Netflix, 2026. Documentário (streaming).
SLOBODIAN, Quinn. Crack-Up Capitalism: market radicals and the dream of a world without democracy. New York: Metropolitan Books, 2023.
THIEL, Peter. The Education of a LibertarianCato Unbound, 13 abr. 2009. Disponível em:  

 

Episódio #394 – O Japão que não pode dizer não, 16 abr. 2026 

Em 2026, Donald Trump acusou o Japão de não ter participado da guerra contra o Irã — e na mesma cúpula bilateral evocou Pearl Harbor para responder a uma pergunta da primeira-ministra Sanae Takaichi. O Japão, que havia concordado em investir 550 bilhões de dólares nos Estados Unidos para evitar tarifas ainda mais severas, ouvia em silêncio. A quarta maior economia do mundo, cercada pela China, pela Rússia e pela Coreia do Norte, encontra-se estruturalmente incapaz de contrariar Washington. A pergunta que este episódio tenta responder é: como um país chega a esse ponto? 

Para entender o Japão de hoje, é preciso recuar até 1945. Com Jojô Neto (PUC-MG), percorremos o arco que vai da ocupação americana e da constituição pacifista redigida pelas forças de MacArthur, passando pela ascensão econômica japonesa e o pânico que ela gerou em Washington nos anos 1980 e 1990, até a guinada nacionalista deflagrada pelas declarações Kono e Murayama sobre as chamadas “mulheres de conforto”, o surgimento de grupos como o Nippon Kaigi, e a consolidação do revisionismo histórico como ferramenta política sob Shinzo Abe, cujo legado ambíguo ainda define os termos do debate político japonês. 

 

Episódio #393 – Tempo de Cavalos Bêbados (e Petróleo): o Irã, a Rússia e a América Latina, 9 abr. 2026 

Em seu segundo encontro com o Chutando a Escada em 2026, o Observatório Rússia e América Latina (Ruslat) se debruça sobre as conexões entre a política externa russa, o continente latino-americano e o acirramento das tensões no Oriente Médio, com foco particular na guerra no Irã. Conduzido por Daniela Secches, o episódio reúne sete pesquisadores em três blocos, traçando um panorama que vai da intervenção russa na Síria em 2015 ao reposicionamento de Moscou via Cuba em 2026. 

O episódio debate o papel das comunidades da diáspora médio-oriental na América Latina, a polarização política em torno do conflito israelo-palestino, a diplomacia nuclear da Rosatom e, para encerrar, a civilização iraniana em perspectiva histórica e cultural, com sugestões de leituras e filmes para quem quer compreender o Irã para além da conjuntura imediata. 

Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches (PUC-MG), Guilherme Casarões (FIU), Danielle Makio (UNESP/UNICAMP/PUC-SP); Leonardo Nascimento (PUC-MG); Giovana Branco (USP); Laura Schneider (PUC-MG); Danny Zahreddine (PUC-MG; GEOMM). 

Citados no episódio: 

GHOBADI, Bahman (dir.). “Tempo de Cavalos Bêbados”. Irã: Bahman Ghobadi Productions, 2000. 80 min.
KHAYYAM, Omar. Rubaiyát. [Séc. XI]. Tradução disponível em diversas edições. 

 

Episódio #392 – Chavismo sem Maduro: O que esperar?, 6 abr. 2026 

Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos realizaram uma operação militar em Caracas, sequestrando o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. O episódio colocou a Venezuela num estado de transição ambíguo: sem Maduro no poder, mas com o chavismo ainda controlando as principais instituições do Estado. Semanas depois, uma reforma acelerada da lei de hidrocarbonetos abriu caminho para maior controle norte-americano sobre o petróleo venezuelano, com royalties reduzidos e contratos sujeitos à arbitragem internacional, algo que a legislação anterior proibia explicitamente. 

Neste episódio do OPEU em parceria com o Chutando a Escada, Tatiana Teixeira conversa com Ana Penido, professora do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ, e Carolina Silva Pedroso, professora adjunta na Unifesp, ambas pesquisadoras do INCT-INEU. As convidadas reconstroem o que mudou e o que permanece na Venezuela, analisam as implicações econômicas e políticas das mudanças impostas sob pressão norte-americana e discutem se o sequestro de Maduro representa um novo padrão de intervenção na América Latina ou apenas a intensificação de uma estratégia já em curso há mais de 20 anos. 

 

Episódio #391 – Ecologia da mente e extrema direita, 26 mar. 2026 

O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. 

No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural.  

Citados no episódio: 

CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026.
BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972.
GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994.
WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948.
MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015.
SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005.
LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986.
EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965.
Documentário “Feels Good Man”. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. 

 

Episódio #390 – O dia em que a Venezuela acordou sem presidente, 19 mar. 2026 

Neste episódio, Filipe Mendonça conversa com o professor Rafael Villa (USP) sobre o evento que abalou as estruturas da geopolítica latino-americana: a operação militar de captura e sequestro de Nicolás Maduro. Villa, um dos maiores especialistas brasileiros em política venezuelana, analisa as causas do colapso súbito da defesa chavista e levanta a questão central: estivemos diante de uma falha catastrófica de inteligência ou uma demonstração sólida da superioridade militar dos Estados Unidos? 

O episódio explora também o pragmatismo da administração Trump 2.0, que parece ter preterido a aliada ideológica María Corina Machado em favor de uma interlocução técnica e de governabilidade com Delcy Rodríguez. Entre a necessidade americana de garantir um suprimento seguro de petróleo frente às tensões no Irã e a fragmentação interna do chavismo, Villa desenha um cenário de tutela negociada que redefine a soberania na região. Discutimos ainda a perda de relevância da mediação brasileira e os sinais de que Cuba pode ser o próximo alvo no tabuleiro de Washington. 

Aviso: Esta entrevista foi gravada pouco antes da notícia da destituição de Gustavo González López do Ministério da Defesa na Venezuela. 

 

Episódio #389 – Rússia e América Latina: Alianças, Petróleo e Cultura, 12 mar. 2026 

Neste episódio de abertura da parceria com o RUSLAT em 2026, o Chutando a Escada mergulha nas complexas relações entre a Rússia e a América Latina. Em um cenário global de profunda transformação, a coordenadora do observatório, Daniela Secches, lidera um time de especialistas para analisar como o “exterior distante” russo se tornou uma presença estratégica e incontornável em nosso continente. 

O debate atravessa as dimensões políticas, econômicas e de segurança, discutindo desde a resiliência da economia russa após quatro anos de guerra até o impacto de eventos recentes como a crise na Venezuela e a busca brasileira por uma ordem multipolar. Mais do que geopolítica, o episódio revela as pontes simbólicas e culturais que conectam essas duas regiões de modernização tardia e identidades em disputa. 

Participaram deste episódio: Daniela Secches, Marinana Andrade, Guilherme Casarões, Giovana Branco, Laura Schneider e Leonardo Nascimento. 

Citados no episódio: 

Filme: “As Auroras Aqui Nascem Tranquilas” (1972), dir. Stanislav Rostotsky.
Filme: “Memórias do Subdesenvolvimento” (1968), dir. Tomás Gutiérrez Alea. 

 

Episódio #388 – EUA 250 anos: Mitos Fundadores e Distopia, 5 mar. 2026 

Neste episódio de abertura da temporada de 2026, o Chutando a Escada mergulha nas profundezas da identidade americana. Em um ano marcado pelos 250 anos da Independência dos Estados Unidos, a editora-chefe do OPEU, Tatiana Teixeira, recebe a professora Camila Vidal (UFSC) para uma análise que vai muito além das celebrações oficiais. 

Elas discutem como os mitos fundadores, o conceito de Destino Manifesto e o excepcionalismo americano foram construídos e disputados ao longo dos séculos. Mais do que uma revisão histórica, o episódio revela uma ideia de democracia distorcida, servindo de base para o unilateralismo agressivo e a distopia política que vemos hoje sob o trumpismo. 

Citados no episódio:  

RAPHAEL, Ray. Founding Myths: stories that hide our patriotic past. New York: The New Press, 2004.
HORNE, Gerald. The Counter-Revolution of 1776: slave resistance and the origins of the United States of America. New York: New York University Press, 2014.

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Tatiana Teixeira é editora-chefe do Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), pesquisadora de Pós-Doutorado da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e U.S. State Department Alumna (SUSI 2025). 

** Este conteúdo não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU. 

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