Peter Navarro, uma influência nas decisões sobre tarifas
Peter Navarro, no evento The Believers Summit no Centro de Convenções do condado de Palm Beach, em West Palm Beach, Flórida, em 26 jul 2024 (Crédito: Gage Skidmore/Flickr)
Por Andy Mickelly Canovas Lima * [Informe OPEU] [Trump 2.0] [Tarifas] [Comércio]
Peter Navarro é economista e foi diretor do Escritório de Política Comercial e de Manufatura no primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021), cargo criado para alavancar a competitividade industrial dos Estados Unidos. Em 2025, reassumiu um papel de destaque, como conselheiro sênior de Comércio, defendendo abertamente a aplicação imediata de tarifas sobre importações, como, por exemplo: aço, alumínio e produtos manufaturados da China. Navarro é crítico de acordos multilaterais e vê as tarifas como instrumento para reindustrializar os EUA, reduzir o déficit comercial e combater políticas comerciais consideradas injustas por parte de países que integram o Brics, como China, Índia e Brasil.
Sua influência nas decisões tarifárias é significativa. Foi um dos responsáveis por convencer Trump a impor taxas de até 25% sobre aço e alumínio no primeiro dia do segundo mandato e a ampliar tarifas para setores como tecnologia, automóveis e energia. Também participou da formulação da tarifa recíproca, calculada de acordo com as barreiras aplicadas por outros países, e do fim da isenção “de minimis” (uma regra que antes permitia que remessas de até US$ 800 entrassem nos EUA sem pagar tarifas, beneficiando o comércio eletrônico). Com o fim dessa isenção, mesmo pequenas compras vindas da China passaram a ser tarifadas, impactando consumidores, varejistas e empresas de logística.
As tarifas impulsionadas por Navarro favorecem departamentos ligados à indústria e ao comércio doméstico, estimulando investimentos internos, como é o caso da General Motors, que anunciou bilhões de dólares para trazer parte da produção de volta ao país. Ao mesmo tempo, geram pressões sobre setores dependentes de exportações agrícolas, cadeias de suprimento, especificamente do ramo da tecnologia e importadores de bens de consumo, que já relatam um aumento de custos e retaliações.
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Essa situação impacta diretamente o Departamento de Agricultura (USDA), que enfrenta quedas nas exportações, devido às retaliações de parceiros comerciais, como são os casos de China, União Europeia e Brasil, em cima dos produtos agrícolas norte-americanos, incluindo soja, milho, carne suína e laticínios. O resultado é a queda nos preços internos, a redução da renda de pequenos e médios produtores e o aumento da pressão por programas de compensação financiados pelo governo, enquanto setores como o agronegócio e a indústria pesada se ajustam lentamente às novas condições de mercado. Vale ressaltar que também afeta o Escritório do Representante Comercial (USTR), que precisa negociar com países afetados, administrar medidas de retaliação e defender a legalidade das tarifas em fóruns internacionais.
Apesar dessas repercussões e críticas, Navarro mantém a defesa das tarifas como elemento central da estratégia econômica do governo, argumentando que são essenciais para proteger a indústria e incentivar a reindustrialização dos Estados Unidos. ![]()
Conheça alguns dos textos da autora publicados no OPEU
Informe “Entre a cruz e a fronteira: a tensão simbólica entre papa Francisco e Donald Trump”, 25 abr. 2025
Informe “A postura dos EUA no Acordo de Paris sob a ótica Trumpista”, 26 nov. 2024
Informe “Perdão presidencial e polarização: o conflito político após o ataque ao Capitólio”, 7 mar. 2025
Informe “A tensão simbólica entre Papa Francisco e Donald Trump”, 25 abr. 2025
* Andy Mickelly Canovas Lima é graduanda do oitavo semestre do curso de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi e aluna participante do projeto de extensão da referida instituição em parceria com o OPEU. Contato: andy.mickelly@gmail.com.
** Revisão e edição finais: Tatiana Teixeira. Recebido em 11 de agosto. 2025. Este Informe não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU.
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