Publicações / Informe OPEU

Nossos informes são resumos dos principais fatos de política doméstica e internacional dos Estados Unidos. O Informe OPEU é publicado a cada 15 dias com o conjunto dessas notícias.

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Cortes automáticos reduzem presença militar dos EUA na Ásia

A implementação dos cortes automáticos no orçamento federal começa a afetar operações militares dos EUA na Ásia. Em função do sequestro orçamentário, o Pentágono deverá cortar pelo menos US$ 46 bilhões no atual ano fiscal. De acordo com fontes do governo, áreas atingidas incluem as bases dos EUA no Japão, onde o efetivo ultrapassa 80 mil homens, e os exercícios militares conjuntos na região. Esses últimos são parte importante da estratégia de Washington para fortalecer a cooperação militar com aliados asiáticos, como Coreia do Sul e Japão. Entre as consequências mais imediatas dos cortes, analistas ressaltam uma descrença na capacidade dos EUA de defender seus aliados, uma corrida armamentista na região e uma maior cooperação desses países com a China. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, já anunciou que seu governo fará o que for preciso para fortalecer as defesas do país diante dos efeitos das reduções nas forças dos EUA na Ásia. Para Washington e seus parceiros regionais, o momento é de tensão, em meio às ameaças nucleares por parte da Coreia do Norte e à expansão das capacidades militares da China. Em visita a Tóquio, em 15 de abril, o secretário de Estado John Kerry garantiu que o compromisso militar dos EUA na Ásia está mantido. Embora as restrições orçamentárias possam alterar o alcance de algumas das atividades do Departamento da Defesa na região da Ásia-Pacífico, o Pentágono também declarou que a área continua a ser prioridade. No fina de março, demonstrações de poderio militar na península coreana, com o treinamento de dois bombardeiros B-2 com capacidade nuclear, contribuíram para amenizar esses temores.

Camp e Baucus tentam formar coalizão para reforma fiscal

Os líderes dos comitês do Congresso com jurisdição fiscal estão tentando formar uma coalizão para uma reforma tributária. Os presidentes do Comitê de Meios e Procedimentos da Câmara e do Comitê de Finanças do Senado, respectivamente Dave Camp (R-MI) e Max Baucus (D-MO), buscam apoio de legisladores, lobistas e conselheiros de Obama para impulsionar a criação de um projeto de lei sobre reforma fiscal. Baucus tem feito da questão um dos pontos principais durante seus encontros semanais com o Secretário do Tesouro, Jack Lew. Além disso, vem procurando discutir com os senadores mais jovens suas prioridades com relação a impostos. Aliados de Camp afirmam que estão tentando convencer representantes democratas do Comitê a apoiar um projeto sobre reforma fiscal. Segundo eles, essa é uma forma de pressionar o porta-voz da Câmara, John Boehner (R-OH), a levar ao Congresso um projeto de reformulação dos impostos. Alguns passos para a reforma estão sendo dados no Congresso. No dia 8, os dois Comitês discutirão propostas para a criação de novos impostos e outras reformulações fiscais voltadas a indivíduos. Baucus e Camp pretendem impulsionar a legislação nas próximas semanas para tentar relacioná-la às negociações sobre o aumento do limite da dívida pública. Lobistas acreditam que um projeto de reforma tributária não será aprovado agora, mas as discussões deverão impactar futuras negociações sobre impostos.

Pentágono responsabiliza governo chinês por ciberespionagem

O Pentágono acusou oficialmente a China de ciberespionagem. A informação foi divulgada no Military and Security Developments Involving the People’s Republic of China, relatório feito anualmente para o Congresso a respeito da capacidade militar chinesa. Segundo a versão de 2013, várias invasões a redes dos EUA e de outros países foram realizadas pelo governo chinês no ano passado. Militares chineses estaria invadindo redes de computadores para coletar informações do setor econômico e de indústrias de defesa nos EUA. O objetivo seria mapear o arsenal bélico dos EUA para o caso de um eventual conflito ou tensão entre os dois países. O roubo de dados também seria parte da estratégia militar para modernizar seus próprios equipamentos de guerra. O relatório indica que alguns executivos e estudantes de intercâmbio chineses nos EUA estariam envolvido nessas operações. Essa é a primeira vez em que a administração Obama responsabiliza oficialmente militares chineses pelo uso de ferramentas cibernéticas de guerra. Até agora, as acusações mais diretas vinham sendo feitas por empresas de segurança de dados. Recentemente a firma de segurança digital, Mandiant, firmou que 90% das investidas cibernéticas contra os EUA têm origem na China. O porta-voz do ministério de Relações Exteriores da China, Hua Chunyin, rejeitou as acusações. Hua afirmou que seu país deplora qualquer forma de ataque de hackers e que o conteúdo do relatório dificulta um diálogo construtivo sobre a questão.

Obama e FBI querem vigiar comunicação on-line em tempo real

A administração Obama apoiará o plano do FBI de reforma nas leis de vigilância da Internet. O plano permitirá o grampo de todos os tipos de comunicação on-line e multas para as empresas que descumprirem essa determinação. O objetivo é ampliar o alcance do Communications Assistance for Law Enforcement Act de 1994, que exige das operadoras de telefonia e provedores de rede a disponibilização de recursos de intercepção em seus sistemas para ajudar o FBI nas investigações. De acordo com o órgão, o aumento do uso de e-mails e das redes sociais tem dificultado o monitoramento de potenciais ameaças de segurança na rede. Embora o Electronic Communications Privacy Act de 1986 autorize o governo a obter cópias de e-mails, o FBI ainda tem dificuldades com a vigilância em tempo real. A reforma pretende padronizar as regras de monitoramento do tráfego de Internet, possibilitando a vigilância de serviços de armazenamento na nuvem, como Dropbox, e da troca de mensagens em tempo real, como no Skype, ou em salas de bate papo do Gmail e do Facebook. Segundo o conselheiro geral do FBI, Andrew Weissmann, obter novos poderes de espionagem na web é prioridade para a agência. Além da defesa da privacidade individual, críticos às reformas apontam que a criação de recursos de interceptação em tempo real por provedores de serviços deixarão a Internet menos segura. Hackers poderiam explorar tais mecanismos para roubo de informações. Ao mesmo tempo, exigir a implementação mecanismos de monitoramento, sob pena de multa, aumentará custos operacionais. Isso pode servir como desincentivo à inovação e acarretar transferência de novos projetos para o exterior.

Obama anuncia nomeações para USTR e Departamento de Comércio

O presidente Barack Obama anunciou, no dia 2, as nomeações de Michael Froman para o cargo de representante comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) e de Penny Pritzker para a liderança do Departamento de Comércio. O nome de Froman já vinha sendo cotado para o posto desde janeiro, quando Ron Kirk anunciou que deixaria a chefia do USTR. Durante o primeiro mandato de Obama, Froman foi assessor de segurança nacional da Casa Branca para assuntos econômicos internacionais. Em discurso, o presidente atribuiu a Kirk e a Froman os créditos pelo êxito de negociações comerciais com Coreia do Sul, Colômbia e Panamá. Segundo analistas, o indicado tem um relacionamento próximo com Obama, o que deve fortalecer o USTR. Já o posto no Departamento de Comércio estava vago desde junho devido à renúncia do secretário Jonh Bryson por razões médicas. Pritzker foi membro do Conselho de Empregos e Competitividade e do Conselho Consultivo de Recuperação Econômica de Obama. A empresária, que foi uma grande doadora e captadora de recursos para as últimas campanhas do presidente, tem boas relações no mundo corporativo. Segundo analistas, o histórico fiscal de Pritzker deverá ser questionado por republicanos. O senador Charles Grassley (R-I) disse que a questão deve ser examinada no processo de confirmação da indicação, sugerindo que ela teria usado operações de empresas no exterior para evitar o pagamento de impostos. Se as indicações forem confirmadas pelo Senado, ambos terão papel central na agenda comercial de Obama, que inclui a conclusão da Parceria Transpacífica e o lançamento de negociações para um acordo com a União Europeia.

Ataque israelense à Síria aumenta a pressão sobre os EUA

O ataque israelense contra a Síria, no dia 5, pode acelerar a decisão nos EUA sobre intervir no conflito. Na manhã de domingo, mísseis partindo de Israel atingiram um carregamento de armas nos subúrbios de Damasco. De acordo com agências de notícia, mísseis iranianos Fateh-10 eram transportados da região para o Hezbollah, no Líbano. O governo sírio disse que essa foi a segunda investida israelense na semana e que as ações representam uma declaração de guerra. Embora Israel não tenha admitido a autoria, o presidente Barack Obama declarou que o país aliado tem o direito de interromper o fluxo de armas para o Hezbollah. Em anonimato, um militar israelense disse à imprensa que a investida partiu de Israel sem que os EUA fossem previamente avisados. Diante do sigilo da operação, especialistas acreditam que o real objetivo israelense era provar aos EUA que a Síria não possui uma defesa aérea tão eficiente como acredita o Pentágono. A qualidade do sistema de defesa sírio é considerada pelo Departamento de Defesa uma restrição à intervenção. A Casa Branca vem sendo pressionada por congressistas e países aliados a tomar uma ação mais assertiva, principalmente para impedir o uso de armas químicas pelas forças sírias. No entanto, uma investigadora da ONU teria revelado que a substância tóxica sarin pode ter sido usada pelos combatentes da oposição. Ainda procurando uma saída diplomática para o problema, o secretário de Estado John Kerry foi à Rússia, no dia 6, para tentar convencer o Kremlin a deixar de apoiar o governo de Bashar al-Assad.